LUIZ GERALDO MAZZA
Normalmente o que é que se diz de algum candidato de Capital? A primeira de todas as afirmações é a de que presta obediência a um grupo, que é submisso a uma liderança. De todos os candidatos à Prefeitura de Curitiba, Cassio Taniguchi é o que detém maior raio de autonomia, o que não é tutelado. Seria um Jim Jones se botasse o Lerner em sua campanha. Além do mais, provou, tanto no governo quanto na municipalidade que detém estilo próprio, mais objetivo com menor apelo ao esteticismo, sem desprezá-lo.
Na campanha do Ângelo Vanhoni, que tinha tudo para ser o diferencial dessa disputa, vão aparecer tanto o Ciro Gomes como o Lula, os líderes das pesquisas de intenção de votos para a Presidência. Na do Forte Netto, a presença do Alvaro Dias chega a ser irritante com a perda de naturalidade que era o seu forte quando hoje predomina um artificialismo. O Forte, como o Vanhoni, perde com isso por esse excesso de tutela.
A tutela mais forte é a do Roberto Requião falando em tom coloquial, como se estivesse num confessionário, que o bom é Maurício, seu irmão que foi também seu secretário como a família toda. O Maurício não transmite um mínimo de otimismo, que sobra no mano Eduardo, tido como dissidente do clã, cada vez mais com um ar de exorcista, a expulsar de todos nós os recalques e as limitações que nos impedem de viver intensamente o prazer nesse território sagrado que é o nosso corpo.
Assim, o menos tutelado é o Cassio e, de repente, pinta como a única e rica alternativa para sobrepujar o lernerismo, que é o desdobramento, com menor qualidade, embora melhor propaganda, do neysmo. Da mesma forma que Paulo Pimentel foi uma renovação de estilo e quadros para pior sobre Ney Braga, Cassio tem tudo para ir numa direção contrária. Na sequência do neysmo, Canet foi uma surpresa para melhor com seu plano de asfalto subdimensionado que virou modelo para o Banco Mundial, isso sem falar no arrojo das obras na construção de usinas e nas áreas de saneamento básico, saúde e educação. Cassio, em muitos aspectos, está mais próximo de Saul Raiz no compromisso com a objetividade, do que de Lerner e Greca, mais esteticistas.
Da mesma forma que Cassio não deve usar imagens de Lerner ou de FHC, o que não significa que com eles conflite, Eduardo Requião é outro que sai da faixa dos tutelados até porque é olhado como se fosse o Patinho Feio de uma só tribo e que luta com denodo por afirmação pessoal.
BIZARRICE
O jornalista Cândido Gomes Chagas aposta que em setembro teremos mais do que a primavera: haverá a entrada de Roberto Requião para reverter todas as expectativas. Esse também é o sonho dos luas pretas (pois não é que eles ainda existem?) do PMDB. Por ora tudo está meio down
AXIOMA O advogado Roberto Rocha entrou com um requerimento na OAB-PR para que esta se manifestasse, como o sindicato dos engenheiros, sobre o plebiscito contra o pagamento da dívida externa. Na OAB de Curitiba até pode emplacar, mas na regional é difícil.
GLOSA Pesquisa Brasmarket coloca nos primeiros lugares do pódium dois dos prefeitos mais contestados na Justiça: o Jocelito Canto, de Ponta Grossa, segundo lugar, e Rizio Wachowicz, de Araucária, o terceiro. Em primeiro ainda permanece o Tauillo Tezelli, de Campo Mourão, que não tem bronca.
EPIGRAMA Pergunta-se: se o candidato a vice da chapa PT-PPS é uma expressão do movimento da negritude e se trata de um atitude anti-discriminatória por que, afinal de contas, ele não fala nos programas eleitorais? Se o objetivo é afirmar a diversidade na unidade convém que fale, pois essa omissão pode até ser mal interpretada e de qualquer modo pega mal.
EPÍGONO Quem diria: o Fábio Camargo, candidato jovem a vereador, muito badalado, aparece com uma espécie de marreta o que o coloca na condição de epígono do Toni Garcia que o Jamil Snege fazia detonar rochas. Se saísse com uma enxada estaria copiando o Adão Soltowski que foi candidato dos anos 60. Ele promete o primeiro gabinete sem paredes do País. Depois há ainda quem pergunte por que o povo anda com tanto horror da política. PESQUISA Hoje tem nova rodada de pesquisa Ibope: os detalhes de fechamento de campo se davam na tarde de ontem. Elas serão divulgadas, em primeiro lugar, no Paraná TV da Globo regional. Vai dar para saber como o horário eleitoral influiu nas posições dos candidatos em Curitiba, Londrina, Ponta Grossa entre outras cidades. Dará também para avaliar o grau de aquecimento, pois o povo não está horrorizado com a política, necessidade vital, mas com o tipo de político que temos e que tanto deslustram essa arte. A frieza da campanha é do público e não do processo e esse já sabe, a essa altura, em quem vai votar e não se sensibiliza com discurso velho e baixaria.
SPRAY O neurocirurgião Affonso Antoniuk mais uma vez pega uma parada com interesses capitalistas ao revelar os riscos do uso imoderado dos celulares como causa de poluição magnética e capaz de produzir câncer. - Antoniuk, que é um dos maiores combatentes da cisticercose em sua forma cerebral, conta que, no início de sua cruzada, foi pressionado pelo cartel interessado na venda dos derivados da carne de porco a moderar suas advertências. - Com base em pesquisas e observações clínicas, ele apurou que mais de 60% dos casos de epilepsia do Paraná eram decorrentes da cisticercose cerebral. - Está de mal a pior a Assoma (entidade que cuida de meninos de rua e que tem mais de uma centena de internos), por falta de recursos. Quando Aníbal Khury era vivo, isso não acontecia, já que ele amparava a instituição. Estranha-se que um governo, que diz ter retirado 70 mil meninos da rua, abandone a entidade.
FOLCLORE Dezenas de casos de pessoas atacadas pelos cachorros em Londrina foram abordados, ontem, na televisão. Falava-se nas penas que os donos dos animais estariam sujeitos. Aí houve uma proposta de pena alternativa: o dono ficar de focinheira e morando na casinha do au-au.
CROMO É mais fácil achar uma agulha num palheiro do que descobrir uma cintilação mínima de esperança na pregação eleitoral.
AFORÍSTICO Se o Aníbal Khury estivesse vivo, o seu neto se elegeria. Agora vai dividir votos com o Edde Abib, que tem como cabo eleitoral o irmão Bibinho, secretário e preceptor do guru.





