Quando menos se espera aflora uma constrangedora situação vinculada à campanha eleitoral. É o caso, por exemplo, dos precatórios, em cuja pista o senador Requião age com a obstinação do Inspetor Javert, aquele que correu atrás de Jean Valjean até pelos esgotos de Paris. E de fato pegou uma pista relativa ao segundo turno do pleito de Londrina.
De um modo geral, afora o desejo de esclarecer um escândalo, há o proveito de caráter político e que começa a se transformar numa bola murcha com absurdos como o do senador Kleinubing, brincando de inspetor Clouseau (imortalizado pelo Peter Sellers no cinema), que se deixou flagrar numa gravação oferecendo vantagens para um acusado desde que seguisse a sua orientação. Fato, aliás, parecido com o ocorrido com Requião que se reuniu com um dos barras pesadas na casa do seu irmão, o deputado Maurício, em Brasília, em investigações paralelas condenadas pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, na qual, com a melhor das intenções, buscava informações privilegiadas.
Tudo isso aí vai ser desmoralizado no Judiciário como de resto a forma promotorial como agiam alguns senadores, lembrando em tudo o Tribunal do Santo Ofício, só faltando o crucifixo à mão para obrigar o depoente, antes de ir à roda dentada, a contar a verdade que o libertaria das agruras do Inferno. Mas, de qualquer forma, haverá ganhos nessa devassa em cima dos saprófitas do mercado financeiro, corsários de gravata em concubinato com a fauna dos doleiros.
Mas outras sequelas estão por aí e uma delas é aquela pendência entre os advogados Renê Dotti e Rodolfo Lincoln Hey em torno de um recibo em dólares, tido como falsificado e produto de pagamento pela defesa de Requião no caso ‘‘Ferreirinha’’. O juiz da 4ª Vara Criminal teria determinado o respectivo exame grafotécnico daquela peça e solicitado quebra de sigilo e informações da Receita Federal. De um litígio entre advogados que deveria ser metabolizado interna corporis e, quando não possível, pela intervenção de amigos comuns e da própria OAB, há essas sequências constrangedoras e que acabarão tendo efeitos políticos.
De repente operar como agente financeiro em campanha eleitoral, como Mário Celso Petraglia fez em favor de Lerner e que por isso mesmo enfrenta algumas turbulências, vai ser um mau negócio. Em primeiro lugar porque casos como o do PC Farias e os da CPI dos Precatórios mostram que tudo hoje é mais vulnerável do que antes e em segundo porque empreiteiros, os maiores fornecedores, estão hoje matando cachorro a grito. De outro lado os bancos já perceberam que são por demais visados. Outro detalhe: quem está mal em pesquisa chupa o dedo e pelo menos no momento, se aparecer a grana, quem fica certamente com migalhas é a oposição. A não ser que as suas denúncias sejam mais fortes que as do governo. Uma eleição sem financiadores seria civismo puro como nunca.
BIZARRICE Guaratuba é uma cidade misteriosa. A fenda, aberta em função de solapamento, até hoje não foi fechada; houve o caso, mal contado, das bruxarias; a tragédia do Edifício Atlântico e o cemitério com até o arruamento usado para sepultamentos. Mas agora veio outra misteriosa: o prefeito Everson Kravetz deu aumento de 18% aos barnabés em junho e ontem adiantava 50% do 13º. Esses dois parecem mais esotéricos ainda na conjuntura brasileira.
SPRAY Na denúncia sobre a gangue do ICMS (aquela dos 60%) há referência a antecedentes criminais de alguns dos empresários favorecidos. ‘‘Impacto’’ publica hoje a denúncia do Ministério Público.- Quem está desde ontem em Curitiba é o médium Garrincha que atende até segunda-feira na Bela Vista, km 82 da Br 116, próximo ao trevo de acesso ao Parque Castelo Branco.- Ontem os jogadores do Coritiba recebiam o salário do mês. A diretoria comandada por Joel Malucelli e mais Sérgio Prosdócimo e Edson Mauad conseguiu uma façanha: tirou o clube da 2ª divisão, saiu-se bem no Nacional e cobriu um furo superior a R$ 4 milhões, terminou o Centro de Treinamentos e cuidava de instalar agora o placar eletrônico, o mais avançado do país. O contrário daquele do nosso bravo Legislativo estadual.- O ex prefeito de Paranaguá, Carlos Tortato, está se submetendo a tratamento fonoaudiológico para melhorar seu desempenho, pois pretende sair para deputado estadual e chegar até lá com a voz do Toni Ramos, aquela que garante a confiabilidade do Banestado.- Chegou o primeiro lote de jeeps e carros de passeio da Chrysler, 397 unidades, e que começaram ontem a ser desembaraçadas. Pergunta-se: essa importação e as peças da Renault que chegam aqui pelo porto seco da Cidade Industrial têm imunidade fiscal, algum privilégio enfim? A Renault está emitindo em Curitiba, como já disse, mais de 6 mil notas fiscais por mês, embora o faça peça por peça.-
FOLCLORE 1 Vejam no que dá um partido tornar-se palatável à burguesia: até o Álvaro Dias se anima a falar com o PT e não espantará ninguém se isso der alguma liga.
FOLCLORE 2 Mais um partido no Brasil, o PRTB, Partido Renovador do Trabalhismo Brasileiro. Há quem já imagine o Lerner nessa. Afinal trabalhismo e social democracia são bem mais assimiláveis, conforme o senso das esquerdas, do que um autodenominado liberal, o PFL.
CROMO O bêbado descansa deitado na gangorra: está de tal forma pênsil que se uma borboleta pousar em seus cabelos o aparelho oscila e ele vira criança.
AFORÍSTICO O pior não é o recesso: a ausência do Aníbal Khury seca a notícia.

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