Anunciou-se uma operação concentrada para neutralizar ontem na Assembléia Legislativa a manobra de obstrução oposicionista relativamente à garantia dos cinco anos de toda a circulação de dinheiro público, débitos e créditos, para o agente sucessor do Banestado. Pois bem: a despeito da mobilização de Alceni Guerra (dizem que a operação foi em bicicletas e não em blindados), secretário chefe da Casa Civil, deu ‘‘chabu’’, tudo foi por água abaixo com a falta de quórum, o que transfere o tema para segunda-feira com riscos sérios de nova decepção em função de os deputados estarem entregues à campanha no interior.
Não adianta o estrategista da aceleração do leilão do banco estadual, Giovani Gionédis, insistir na tese de que o cronograma é curto e que para o Paraná até a federalização seria bem-vinda. O governo, em sua habitual arrogância, acha que tudo o que deseja pode ser feito e com a máxima brevidade e sem incidentes de percurso. Pelo jeito não aprendeu a lição da obstrução aos empréstimos do Paraná no Senado que deram prejuízos porque o Palácio Iguaçu manteve o segredo de Polichinelo dos protocolos das montadoras.
A pressa do governo é conveniente porque se ele foi capaz de fazer uma nota apócrifa, porque sem assinatura, atribuída ao Banestado para livrar a cara do responsável pelas irregularidades na Leasing, hoje denunciadas tanto na Justiça Federal como na estadual, é o maior interessado em botar a pá de cal naquilo que foi apurado apenas parcialmente. Na hora em que se conhecer o rumo do dinheiro jogado fora com os títulos estaduais na Corretora é bem possível que as dimensões do prejuízo sejam bem superiores ao que possamos imaginar. O governo quer jogar tudo isso no ‘‘aterro sanitário’’ do banco que ajudou a quebrar e com inegável profissionalismo. O chorume do Banestado é de tal ordem que levaria o príncipe Hamlet a chiar: ‘‘Há algo pior do que a podridão por aqui. Os miasmas são insuportáveis.’’

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