Luiz Geraldo Mazza
Com a próxima viagem, já agendada, de Jaime Lerner a Nova York, agora para um compromisso da ONU e de ONGs, a oposição tenta, outra vez, obter o impedimento da vice Emília Belinati para assumir o cargo. Sabe que vai quebrar a cara, porque decisões políticas se fundam em número, e quem pode mais chora menos. A oposição vai provocar um auê com o sentido de desgastar o governo em clima eleitoral e renovando o realejo sobre as maracutaias de Londrina em cima das sequelas do acordo entre Copel e Sercomtel.
Desta feita há, no entanto, independentemente da oposição, quem pretenda buscar não na área política, mas na judicial, em função de tudo o que está ocorrendo, inclusive a hipótese da prisão preventiva de Antonio Belinati, esse impedimento, sob o fundamento de que ela no governo poderia dificultar a ação na Justiça. Essa cautela foi suscitada igualmente no afastamento do seu marido, o prefeito Belinati.
Alguns procuradores acham que esse envolvimento estaria caracterizado, de uma forma indireta, mas o suficiente para dar livre curso a uma medida cautelar. Emplacar esse instrumento é que são elas.
AXIOMA
Quando fica difícil identificar a fronteira entre a legalidade e a bandidagem é que as coisas se revelam brasileiras. E paranaenses
BIZARRICE No Paraná, vivemos sob o signo dos desmanches: desmanches de carros, desmanches de cadáveres, desmanches de CPIs, e, especialmente, desmanche de notícias, esta igualmente com patrocínio oficial, direto e indireto.
GLOSA A oposição entende que a melhor forma de combater a febre é quebrar logo o termômetro: entrou com recurso no TRE contra a pesquisa DataFolha. Todos os que perderam eleições começaram justamente por negar valor às pesquisas. Quase sempre terminaram com o mesmo discurso: A verdadeira pesquisa é aquela que emergirá das urnas a 1º de outubro! Criatividade é isso aí.
ESCATOLÓGICO Da bomba atômica à bomba fecal. Esse parece o itinerário do Jamil Nakad, candidato a prefeito de Curitiba pelo PRN: como candidato a governador, ele entrou na onda do Enéas e pregou a necessidade da bomba atômica. E agora alega que só falta a prefeitura cobrar pedágio de cocô. Sem querer acertou: vamos pagar, sim, logo que a Sanepar for privatizada. Cada apertão na válvula do banheiro e a descida dos dejectos paga o peidágio. O que, de certa forma, já acontece com a maior naturalidade.
EPIGRAMA Agora Itararé, que já ficou famosa por ter sido cenário da batalha que não houve, deseja deixar de ser paulista para ser paranaense. Só falta o governador Mário Covas atribuir o fato à guerra fiscal do Paraná. Eles alegam abandono, o que também aconteceu com munícipes de Garuva e Itapoá (SC), que também desejavam passar ao território paranaense como os de Ararapira no Paraná (Guaraqueçaba) quiseram passar para o Ariri em São Paulo porque ficava mais perto do asfalto.
Toda essa manha é manjada e tenta sensibilizar os governantes.
SPRAY O tapetão é ainda o local preferido das batalhas eleitorais: ontem a chapa situacionista entrou com sete representações e pedidos de direito de resposta contra oposicionistas que obviamente vão ganhar. - Uma batalha será contra a edição ou trucagem de imagens, descontextualização, inclusive, como a havida na entrevista do secretário Herwig sobre pedágio municipal. - Como vários candidatos a vereador entraram na onda há, além do crime continuado, o direito de resposta correspondente a cada intervenção. - Já na última eleição os advogados do situacionismo ganharam mais de uma hora em minutos somados com direito de resposta. - Edição ou trucagem de imagens, com objetivo de obter um resultado distorcido, é sancionada pela legislação. - No programa de ontem, o dos prefeitos, o tom foi o mais soft possível quando se espera mais dureza em função do programa do dia anterior no caso do pedágio. - O major Neves, o homem de eleite do Grupo Águia, diz possuir uma fita gravada em Telêmaco Borba, ano passado, com declarações do Caboclinho em que afirma deter o controle da Polícia Civil, quando o delegado-geral era o Ricardo Noronha. - Oposição no Paraná não existe, está manietada. Tanto que não consegue, apesar das provas robustas de que dispõe, nem convocar o secretário da Fazenda a prestar depoimento sobre os chunchos do Banestado e muito menos reabrir o caso Copel-Sercomtel. - Por essas razões é que se acredita que os fatos ligados à CPI das Drogas dependerão mais das apurações em nível nacional do que as daqui que são pasteurizadas demais para serem levadas a sério. - Em 1983, o Grupo Trombini inaugurou, junto ao Rio Barigui das Mercês, um complexo sistema de tratamento de água. Um dos operadores acusou, nos exames, o registro de metal pesado, isso é mercúrio. No ano retrasado um exame de vísceras de peixe de fundo (bagres) em Segredo detectou mercúrio também. - Proposta de Rafael Greca de fazer um parque acompanhando a trajetória do rio é boa, mas de custos intoleráveis. De qualquer forma tem um mérito; o de mostrar a gravidade do estado de degradação do curso dágua.
FOLCLORE Vejam o prestígio real do nosso governo e instituições. Seguradoras de cargas decidiram não mais operar pela obviedade de que gastam bem mais do que faturam. Se ainda permanece a impressão da passagem da CPI das Drogas, a quente, a federal, sobre a credibilidade da Segurança, não há como estranhar mesmo essa resistência. Pelo jeito, só quando a anomia atingir toda a vida nacional é que haverá a quebra dessa inércia: os episódios se sucedem nas cidades cercadas por alambrados na paranóia da violência incontrolada. O quadro lembra o cenário descrito pelo liberal Ralph Dahendorf sobre o clima da Alemanha derrotada nos anos quarenta no ataque da população aos estoques das casas comerciais.
CROMO Um encontro de corpos pode se transformar em tatuagem, mas das suas mãos guardo a impressão de perfume e fosforescência, luz forte na escuridão.AFORÍSTICO Em burrice virtuosa, já se viu que ninguém supera a oposição.





