O que ficou do primeiro programa eleitoral? Simples: a invasão do senador Roberto Requião no horário dos candidatos à vereança, levantando o peixe de que em breve iremos pagar pedágio na cidade, baseado num depoimento de pessoa autorizada e integrante do Conselho Político de Lerner, o secretário Heinz Herwig, hoje em transição para o Tribunal de Contas.
A estas horas, menos preocupados com a denúncia, vaga como sempre, mas que pode ‘‘pegar’’, o ‘‘staff’’ advocatício de Cassio Taniguchi tenta o direito de resposta ao lado de outras questões como a intromissão em horário dos vereadores e ainda o uso de imagem e som do Herwig. Que a família Requião, especialmente os genéricos, vai perder essa eleição todo o mundo está careca de saber, mas o Requião verdadeiro, o senador, deixará o governo louco ao dar livre curso à sua veia de gozador compulsivo.
Herwig, o comandante em chefe da operação ‘‘pedágio’’, que poderia derrotar Lerner na reeleição não fosse o corte linear da tarifa em 50%, andou, por mais de uma vez, argumentando para justificar a adoção da medida nas estradas, que as benfeitorias urbanas não estariam livres do tributo. O Requião verdadeiro pegou a declaração e a utilizou, com o fervor habitual, e criou um problema que naturalmente os gênios do ‘‘marketing’’ do situacionismo vão subestimar, confiando num efeito judicial da ala dos advogados.
O PMDB tem que fazer uma campanha inteligente até porque não tem recursos para sofisticações: o saque do pedágio (embora historicamente Requião tenha proposto antes de Lerner a sua adoção, via secretário Mário Pereira) é um fator de embaraço. Também o seu modelo de programa para vereador é ótimo: o chefe fala e como se a turma estivesse no jogo de ‘‘Bento que bento frade’’ ou a imitar a escolinha do professor Raimundo opina em cima do tema em coral, porque esperar diversidade entre eles seria demais.

mockup