Nunca as vísceras de um governo paranaense ficaram tão expostas como agora: as roubalheiras do Banestado, as prodigalidades dos Jogos da Safadeza, a conexão entre o sistema de segurança, classe política e crime organizado, a quebra de um modelo de gestão financeira, o caos londrinense na trilha do escândalo Copel-Sercomtel-Banco FonteCindam – tudo isso é matéria-prima forte para detonar o situacionismo. Pois bem, apesar disso tudo, a incompetência da oposição, burra e primária, não consegue transformar esses fatores em munição eleitoral. Tanto que a cada DataFolha que sai os requianistas anunciam: Cassio atingiu o seu teto! E o fizeram quando estava com 31, depois quando chegou a 45, em seguida a 49 e agora, na publicação de anteontem, a 54.
Na verdade nenhum dos múltiplos candidatos oposicionistas é alternativa a Cassio Taniguchi e com um detalhe: o atual prefeito está mais habilitado a rever o lernerismo do que qualquer um deles. Uma evidência está no fato de que a saída de Taniguchi do governo Lerner marcou o seu descenso, a sua queda e isso porque, mais do que qualquer dos seus secretários, ele sabe agir, a um só tempo, como técnico e político. E técnico é o que não falta ao governo. Já o ingresso de Alceni Guerra tenta cobrir esse vácuo que não pode ser deferido a Gionédis, Campêlo, Guelmann (esse ao menos um animador eleitoral).
As ameaças de caminhada, carreata, panfletagens do PMDB esbarra num álgida indiferença da população que enjoou dos seus métodos. Na cabeça de alguns dos seus dirigentes o PMDB é o de 85 quando Richa, carregando Requião nas costas, venceu Lerner e ainda por cima com o abuso da mobilização de 50 mil militantes do interior que não apenas fizeram ‘‘boca-de-urna’’ como muitos delas chegaram ao desplante de votar. Assim mesmo a diferença entre Requião e Lerner foi inferior a 19 mil votos.
De lá para cá essa frente se dissolveu e é uma pálida lembrança daquela arrancada que juntou dissidentes neystas (Affonsinho, João Elísio, Canet Júnior) aos emedebistas velhos de guerra dentre os quais jamais esteve Roberto Requião e sua turma. A pesquisa DataFolha, que deu Cassio com 54, Maurício 12 e Vanhoni e Eduardo com 7, obrigaria a oposição a entrar de gladiador, hoje, no horário eleitoral como quem vai ter que cumprir os 12 trabalhos de Hércules para obter o milagre dos 12 dias de Lerner, aquele que marca o início do massacre dessa oposição de muito ressentimento e escassa criatividade.BIZARRICE
Este governo não fajuta apenas nota oficial do Banestado. Na ata da sessão do Conselho da Copel, aquela da jogada dos 90 paus para a C.R. Almeida, há uma referência à ausência do presidente, general Ney Braga. Quiseram, uma vez mais, gigolotear o nome do maior político paranaense do século, pois Ney Braga desde 11 de junho pediu afastamento do posto. Eles são incuráveis. Lá no início pretenderam usar o nome do ex-governador, que deu vida e sentido à Copel, para transformá-lo em seu coveiro. A reação de amigos íntimos e da família desmontou a jogada.
AXIOMA Como é que o PMDB pode falar em mudança e contra a censura se uma nota que condenava o acordo entre Copel e a empreiteira C.R. Almeida foi retirada de um texto interno do partido sobre corrupção? Atribuiu-se o fato, o que já parece paranóia, ao filho do empreiteiro, Marcelo, candidato à vereança. Ou seria uma forma de o partido velho de guerra habilitar-se a alguma contribuição, o que, afinal, não é pecado, ainda mais nesses tempos bicudos?
GLOSA A arrogância do grupo Sonae é incrível: não atende uma reclamação da clientela como se não estivesse obrigado a respondê-las. Várias broncas têm sido colocadas sobre questões de higiene no Mercadorama Juvevê e nenhuma resposta foi dada. Anteontem no ‘‘Fantástico’’ vimos um produto da rede, o fubá, vetado pelo Inmetro e os lusos se negaram a qualquer explicação. Não dá para comparar padrões comportamentais com o dos antecessores. Pelo menos no que diz respeito a essa relação com a clientela.
EPIGRAMA Hoje é que o povo vai sentir a importância de ter uma alternativa ao programa eleitoral com a TV a cabo. Já não temos alternativas eleitorais. Então que permitam ao menos essa possibilidade de não ver e ouvir chatice.
Por precaução nos últimos meses aumentou em 35% o número de assinantes Net.
SPRAY Nada menos de dois complexos mandados de segurança, em sessão secreta do Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça, serão julgados amanhã no Tribunal de Justiça sobre a novelesca aquisição das jaquetas coreanas.- É mais um episódio das irregularidades marcantes do governo Lerner e que dividiu profundamente a Polícia Militar. Discute-se agora se se deve ou não receber as jaquetas, o que retiraria o objeto do processo.- Não se fala mais no caso do vigarista Jony Rodrigues, que tinha livre trânsito entre políticos e oficiais da PM, e fazia vendas falsas de automóveis.- Pegaram de novo o prefeito de Araucária, Rízio Vachowski, em distribuição de cestas básicas. A oposição vive tanto a pedir a impugnação do candidato e até a sua prisão que mal dissimula o medo de perder o pleito.- A ecologia é bandeira picareta do sistema, como se viu no caso do Iguaçu e dos seus tributários metropolitanos, com a onda em cima do desastre da Petrobras. Uma visita ao aterro sanitário da Cachimba mostrará pela circulação do chorume no sistema das cavas e em seguida no próprio rio como se faz da dissimulação uma rotina. Mas o marketing é o que interessa, continua dando prêmios, imerecidos, ao Paraná na área.- Campo
Mourão aposta que terá, em breve, uma representação da Procuradoria da República na cidade. Medida, já aprovada na Câmara Federal, vai ser votada agora no Senado. Isso aumenta a condição de pólo regional.
FOLCLORE ‘‘Começa hoje o horário gracioso no rádio e TV: como quase todos os partidos ‘amarelaram’, inclusive o PT e o PMDB, dá para esperar uma campanha cí

trica e na qual quem vira suco é o eleitor.’’ Elísio Marques não crê que nenhum deles se transforme numa ‘‘laranja mecânica’’ como o escrete holandês.
CROMO Se a bola gira, pega efeito e entra no gol de uma coisa o silogismo é absoluto: não se trata do ataque do Coritiba.
AFORÍSTICO Quem sustenta o governo balofo é a oposição raquítica.

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