Já não espanta o fato de que documentos oficiais, como a recente nota do Banestado, seja quase apócrifa porque no mínimo o seu presidente, Reinhold Stephanes, mais do que o presidente do Conselho, deveria assiná-la. Num governo que transformou o conteúdo dos protocolos firmados com montadoras num segredo de Polichinelo, o que é rematada burrice, não surpreende o esforço para dissimular aquilo que está mais do que comprovado, como de resto agiu quando a Assembléia Legislativa iria desvendar a truta Copel-Sercomtel.
A defesa tardia do titular da Leasing é trama típica de gabinete, pois em 23 de julho de 1997, a Divisão Jurídica do Banestado fez nova notícia-crime contra Osvaldo Luiz Magalhães dos Santos por haver dado informação falsa ao Banco Central. Um ano antes, ou para ser mais preciso em 26 de julho de 1996, ele declarou ao Banco Central: ‘‘Quando à indicação de envolvimento de pessoa ligada à direção da empresa arrendadora com a arrendatária temos a informar que não procede, uma vez que no seu Contrato Social consta como endereço da sede como sendo Eixo Estrutural A, S/N, Quadra 17, Lote 18, Bairro Distrito Industrial de Nossa Senhora do Socorro, Sergipe.’’ A tentativa de remediar a situação constrangedora foi rechaçada pela Divisão de Auditoria Gestional ao investigar aquelas operações também se ateve à irregularidade apontada pelo Banco Central.
Vamos ao que diz o relatório 253/97: a) A agência XV de Novembro elaborou o Cadastro da Rápido Laser Ltda., com base no contrato social e subsequente alteração, não tendo, em consequência, cometido qualquer equívoco; b) Quando da assinatura do contrato de arrendamento mercantil, a arrendatária estava situada na Rua Comendador Araújo nº 510, Conjunto 1.401, Edifício Adam Smith, em Curitiba, conforme a segunda alteração do contrato social, arquivada na Junta Comercial do Paraná, sob o número 41203411271, em 17 de outubro de 1995, e ficha de alteração no CGC (MF) (doc 06/07): c) O telefone 222.6336, de Joaquim dos Santos Filho, pai de Osvaldo Luiz Magalhães dos Santos, está instalado na Rua Comendador Araújo nº 510, Conjunto 1.401, Edifício Adam Smith, em Curitiba.’’
Documentos exuberantes provam, pois, que a tentativa de excluir o dirigente da Leasing na estranha nota do Banestado é tão falsa como o esforço do acusado em tentar mudar o seu grau de responsabilidade na informação falsa ao Banco Central. É o estilo do governo, a sua essência, como se percebe em sua rotina. Há, portanto, uma sincronia de extrema coerência em tudo isso.

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