Apesar de não saber como fechar a folha de pagamento do funcionalismo, drama que o persegue todo mês, o governo paranaense continua produzindo encartes coloridos como os que apareceram nesta semana no ‘‘Estadão’’ e no ‘‘Jornal da Tarde’’ em São Paulo, revelando seus feitos na área social como exemplos para o Brasil. É discutível a legalidade desse tipo de propaganda, na verdade uma ‘‘informação comercial’’ e promocional nada mais.
O uso de formas indiretas de propaganda tem sido uma constante do governo. E ninguém em bom senso acredita que isso dê algum retorno ao Paraná ou que sirva, de qualquer forma, para alavancar a figura do governador em níveis de baixa tão surpreendentes que anda emplacando nas últimas fileiras com Olívio Dutra e o rejeitadíssimo Mário Covas. Como não explicou até hoje o dispêndio de R$ 500 milhões em propaganda em quatro anos, essas coisas, por sua aparente baixa expressão, saem na urina, não são sequer notadas.
O governador detém alguma chance de sair candidato pelo PFL quando é submisso até ao catarinense Bornhausen, que segurou enquanto deu o Rafael Greca no ministério, e perde a distância da Roseana Sarney, já incluída nas pesquisas como hipótese menos remota? Está numa pior, o seu governo é um descalabro, os escândalos começam a aflorar na cloaca do Banestado como o dejecto flutuador, mas sua equipe insiste em práticas virtuais, como essa de vender as fantasias que os fatos desmontam como o informe de que 72% dos presidiários trabalham, o que é um gigantesca mentira. Boa parte das lideranças de presídios gastam a maior parte do seu tempo em programar a próxima rebelião: queimam instalações, depredam, sequestram e tudo continua na mesma. Se é a esse ‘‘trabalho’’ que se referem é possível que os fatos se ajustem.
Da ‘‘virtu’’ dos clássicos, chegamos ao virtual do lernerismo, cocacolização das intenções como no marketing do refrigerante, este o símbolo essencial da globalização. Lembro da foto do ‘‘Estadão’’: no Zaire tenso, as multidões de migrantes andando, enlouquecidas, de um lado para outro e num ponto alto o símbolo da globalização ‘‘Toujours Coca Cola’’ – ‘‘Sempre Coca Cola’’, signo da modernidade e a massa empobrecida e desesperada. Como na arte lerneriana.

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