Luiz Geraldo Mazza
As intervenções políticas em decisões do Banestado foram comuns em todo o caso da Banestado Leasing: agora ela aparece na forma de uma nota oficial, não bem caracterizada, já que não se sabe quem a assina, tentando modificar tudo aquilo que foi apurado em sindicâncias internas e nas investigações policiais ao ensaiar uma defesa do ex-dirigente daquele setor, Osvaldo Magalhães dos Santos, em cuja gestão se deram todas as anomalias. É claro que fazendo isso, cuida Jaime Lerner de absolver-se também de responsabilidades indiretas, já que, apesar do alarido das ocorrências, decidiu promover seu auxiliar a secretário de Estado (Esporte e Turismo) e cuja herança nessa pasta não é desprezível.
No andamento das ações na Justiça, novamente o Palácio Iguaçu pressionou o setor jurídico do banco a rever a denúncia contra o ex-governador de Sergipe João Alves Filho, o que era impossível, de vez que já havia sido acolhida. E voltou ao exercício de pressão, para descaracterizar a inadimplência do contratante, impondo que se processasse o parcelamento da dívida. Com a consumação dessa medida, João Alves teve fundamento formal para ingressar com a ação contra o próprio Banestado. Vê-se por aí o zelo das pessoas mais pelo dado político do que pelos de natureza técnica e econômico-financeira.
A presunção de favorecimento está nítida na circunstância de o escritório do deputado federal Joaquim dos Santos Filho, pai de Osvaldo, ter sido apontado como domicílio de um dos contratantes sergipanos. Esse dado primário é eloquente demais para sofrer qualquer tipo de desprezo.
O açodamento com que se deram tantas aventuras na Leasing e na Corretora (nesta o prejuízo é maior e a festa igualmente em cima dos títulos estaduais) mostra que o governo apostou no saneamento do banco para metabolizar todas as deformações praticadas, estabelecendo aí uma espécie de anistia, um liberou geral na base do quem levou levou quem não levou não leva mais. Jamais saberemos ao certo o impacto exato desse prejuízo. O público em geral é quem paga a conta, e os gozadores, como sempre, divertem-se e, ainda por cima, tomados de furiosa indignação, ameaçam os que acusam e denunciam com o fogo dos infernos.





