Vieram o Van Gogh, o Degas e tantos outros. Mas aquele que queríamos, o Pietro Maria Bardi, conservador do Museu de Arte de São Paulo (Masp), não pôde vir. Veio em seu lugar um assessor, magrinho, chamado Baboso, um gozador de primeira, tanto que pretendeu, como membro de seleção do júri, premiar o pedestal de uma escultura do Saghi.
Tratava-se de um evento importante dos ‘‘Diários Associados’’: Adherbal Stresser, o chefe do pedaço, decidiu criar o Museu de Arte de Curitiba e foi delegando a tarefa ao Eduardo Rocha Virmond, crítico de arte do ‘‘Diário do Paranᒒ. Para timbrar o acontecimento, realizamos o 1º Salão Anual de Curitiba e que não teve continuidade, mas foi um sucesso. Atração maior das obras do museu vindas a Curitiba e expostas no salão nobre da Biblioteca Pública era ‘‘A Arlesiana’’ (o pintor fez mais de uma) de Van Gogh.
Colocada no ponto de honra da sala, em que funcionava o Conselho Estadual de Educação, era submetida à vigilência de oficiais da guarda especial da Polícia Militar. Pois quando eu e o patrão, Adherbal, entramos na sala sabem o que um dos oficiais fazia: tocava com a unha o quadro do pintor atormentado. Adherbal deu um grito no melhor do seu estilo prussiano: ‘‘Vai tirar leite de vaca, você não tem condição para cuidar de uma obra de arte!’’

O SEGURO

mockup