Fala-se em gestão democrática de Curitiba. E a cidade já foi até premiada nesse item quando não existe como aqui tanto exemplo de privatização do que é de caráter público. Jornais e a Rádio CBN andaram ultimamente abordando o tema da ocupação privada de espaços públicos e a impressão que se tem é que estamos em pleno fastígio do feudalismo e comandado por supostos republicanos como Lerner e Cassio Taniguchi entre outros.
Não se trata apenas do Edifício Springfield, celebérrimo por haver invadido, antes das ações do MST, um espaço público. Consta que numa das informações, sem assinatura, de um servidor municipal, portanto apócrifa, havia referência ao fato de ali morar o empresário Salomão Soifer e que era muito identificado politicamente com o time dominante. E todos sabem o quanto esse empresário tumultua a vida da cidade para consolidar seus empreendimentos particulares, isso a começar do Shopping Mueller, em que o sistema viário da região foi subordinado a objetivos mercantis, sem falar na contratação de restauração para liberar o proprietário do recuo a que seria obrigado.
Além do Shopping e da invasão do Springfield, Soifer foi acusado de ter derrubado as árvores da Mansão dos Gomm, ainda no Batel.
Raciocina-se: se a colher de chá do shopping, embora fortemente contestada, deu em nada, a despeito de o prefeito Maurício Fruet haver pleiteado o embargo administrativo da obra, dias antes de ser inaugurada, é quase certo que nada acontecerá com o caso Springfield até porque, além desse amigo e financiador de campanhas eleitorais, residem outros aliados do grupo econômico e político ainda dominante.
Serve, no entanto, o assunto como parâmetro para a campanha eleitoral na evidência de que os direitos feudais em Curitiba estão vivíssimos. Estamos carecendo da Carta de 1215 do Rei João Sem-Terra, a primeira de todas, já que para a de 1988 ninguém dá bola.

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