Governo é sequência, continuidade. Mais uma obra foi emplacada entre tantas voltadas para o saneamento da Grã-Curitiba: a Barragem do Iraí. Apesar das omissões – como a visível na degradação da Bacia Hidrográfica do Iguaçu e a taxa ainda não significativa de cobertura de esgotos – o que temos aí é uma linha de continuidade de todas as gestões, mas especialmente das que se seguiram ao ciclo desta e que vão encontrar em Canet Júnior o construtor das barragens do Caiguava (Piraquara) e da Usina de Tratamento de Esgoto.
Essa é a marca digital do grupo que está no poder e isso é tão flagrante que não dá para contestar. O PMDB tem participação? Tem. Mas minoritária nesse complexo de realizações. Seu primeiro governante, Richa, está engajadíssimo com a aliança de Cassio Taniguchi, independentemente da presença do filho, Beto, como vice.
É verdade que quanto tivemos o maior confronto municipal, o de 1985, tais fatores prevaleciam. Tanto que o sistema integrado de transportes com os seus terminais lá estavam para definir essa visualização como tínhamos ainda os parques, hoje consideravelmente ampliados. O PMDB despejou, com o comando de Richa e a execução do Deni Schwartz, secretário de Transportes, via DSTC, setor que controla concessões de linhas intermunicipais, 50 mil ‘‘militantes’’ para boca-de-urna, muitos dos quais, segundo denúncias da época, votaram de forma irregular. Com tudo isso, a força de Richa, Alvaro, Fruet, o PMDB já bem ‘‘arenizado’’ com a turma do Affonsinho e do Canet Júnior, do PP, Requião venceu por menos de 19 mil votos.
Outra coisa: havia militância, mobilização, dinheiro. Havia um jornal de grupos do Sudoeste, que foi uma alavanca eleitoral, o ‘‘Correio de Notícias’’, ao qual se vinculavam a ‘‘cuca’’ do cartel dos coletivos, João Simões, e Sílvio Name, e que operava como ‘‘volante de campanha’’.
No último comício (Praça Rui Barbosa) chegou a notícia de que os lerneristas imprimiam um volante que indicava que as linhas de ônibus pagariam duas tarifas, dor-de-cotovelo naturalmente diante da perda dos aliados empresariais. Em minutos havia uma força-tarefa diante do ‘‘Jornal do Estado’’, em cujas oficinas a peça era produzida, já com a Polícia Federal, o desembargador Eros Gradowski, presidente do TRE, o escambau. Aquilo era sinal da avalanche e da vitória. Hoje tais armas estão do outro lado e não há como contestá-lo, até porque não há espaço para voluntarismo e tudo gira em torno do mais rígido profissionalismo.
Dona Marina Taniguchi, ao pegar os coordenadores da campanha em triunfalismo, valeu por uma força-tarefa, corretiva, educativa. Dá para imaginar nas mãos da oposição o vaivém de garçons num comitê eleitoral com todos festeando! Uma bobagem dessas põe abaixo todo o aparato pré-existente, incluindo o das obras.

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