Os partidos não têm militância. O grupo aliado, obviamente, tem-na de assalariados. Seria extremo cinismo imaginar idealistas no contexto. Os últimos estavam no PT que os perde a cada vez com maior velocidade pelo acúmulo das desilusões e em função do pragmatismo, cada vez mais classe média e menos representativo dos excluídos, até porque o MST o superou a tal ponto que mobiliza hoje os lúmpens de todas as origens, favelados e desempregados, e nem sempre se ajusta no politicamente.
Sábado tivemos mais uma prova de que o PMDB lembra Lerner na idealização do passado: acredita-se ainda capaz de representar a resistência quando já beliscou e gostou e se refestelou e se perdeu. Tal qual Lerner sugerindo pelos seus ‘‘image-makers’’ uma Curitiba extinta nos anos 70 como se ainda fosse a mesma. Só que o mito de Lerner, trabalhado com a obstinação do método de Goebbels, ainda perdura por associar-se a auto-estima das pessoas na sua relação com a cidade e o do PMDB tem seu último referencial no Requião verdadeiro e cuja capacidade para a desagregação é maior do que para construir, tanto que com ele e seu estilo de liderança todos os líderes que o precediam, desde a história do MDB, da qual não participou, como José Richa, Alvaro Dias, Scalco, Alencar Furtado, dele se distanciaram.
O baixo clero tomou conta do partido e tenta inutilmente sugerir que é forte e de massas quando não é nada disso, daí sua convocação inútil a manifestações de rua que ninguém vai e que não guarda sequer a dignididade daquelas que os PCs promoviam com um mínimo de gente e um máximo de esperança. Sábado, o PMDB fez uma convocação para protestar contra restrições, que efetivamente sofre por parte da Justiça Eleitoral, mas o público também conhece a vocação do partido para a mera baixaria, daí não crer que ele possa expressar o desejado contraste ao processo eleitoral. O encontro foi um fracasso anunciado.
No domingo veio o DataFolha para remover a arrogância: Cassio se aproxima dos 50%, Maurício Requião, Vanhoni e Eduardo vinham empatados tecnicamente com 10 para o primeiro e 9 para os demais. Na campanha, essa diferença pode aumentar pela precariedade de recursos de oposição (técnicos, financeiros), mas o PT tem mais potencial para ficar em segundo ante o divisionismo dos Requião. Se o verdadeiro entrar na disputa, ela aquece, e talvez a leve ao segundo turno.
AXIOMA
Rio Branco do Sul tem um slogan (‘‘Fora o lixão’’), isso é o aterro sanitário, mas aceita o cemitério de motores no terreno do prefeito. Fede menos ou seria fé demais?

BIZARRICE
Roberto Requião está perdendo espaço no ‘‘Ovoneles’’. O jornalista Renato Maurício Prado, de ‘‘O Globo’’, é um fenômeno: passou FHC. Requião aparece em 3º com 23.556, FHC com 33.057 está em 2º e Renato em 1º com 33.258. Lerner em 9º com 15.432, o Atlético Paranaense em 19º com 5.653, Maurício Requião em 37º com 3.228, Cassio em 90º com 1.273. Estou na frente do Lalau (capas das revistas semanais) e até do FMI, este com 1.676. Cravei 1.791 em 65º lugar.
GLOSA
Na espontânea DataFolha Cassio Taniguchi está com 18 pontos, Vanhoni com 3, Requião (qual deles?) 1. Detalhe: Cassio tinha 15 e passou a 18, subindo 20%. Alterar isso é tão fácil quanto deter a queda de FHC, ainda mais depois das suspeitas sobre Eduardo Jorge.

EPIGRAMA
Sacoleiros são detidos, na vinda de Foz para cá, quatro vezes, agora pela Polícia Rodoviária também. Endurecer com esse pessoal está fácil; difícil é chegar no Lalau, que abrindo a boca pode levar o governo ao beleléu. O cara teria sido o ‘‘financeiro’’ do DOI-Codi, a usina de tortura. E só essa dica pode ser mais um motivo pra queima de arquivo.
SPRAY Ansiedade de mostrar serviço por parte dos advogados eleitorais está chegando no limiar do ridículo: de um lado a coligação oficial com o exercício de bloqueios extremos e fascistóides; de outro a oposição com um formalismo digno das ‘‘Pandectas’’ ao fazer a busca e apreensão de material da aliança situacionista que não identifique a sua composição. - Ora, os advogados, pelo jeito, não jogam para o público, mas na suposição de tolices como a de que o candidato majoritário, absoluto, esconderia a sua condição de pefelista ou das siglas que integram a coligação. - Pelo menos, até agora, os advogados ganharam maior notoriedade do que os marqueteiros. No profissionalismo de um modo geral a situação ganha de barbada, embora se reconheça que na parte jurídica há mais equilíbrio do que assistência publicitária e política. Na financeira, não dá nem pra falar: recursos fartos no oficialismo, frágeis na oposição. No apoio popular, a diferença é maior ainda. - Tanto que o PMDB se alvoroça com o fato de Eduardo Requião estar prejudicando o irmão mais novo, Maurício. Há um detalhe: é mais fácil Maurício sair na hipótese de Roberto candidatar-se do que o Eduardo vir a fazê-lo. E dois Requião é sempre arma da situação, queiram ou não os delirantes de sempre. - Surpreendente nessa história do ‘‘Ovoneles’’ a bronca do público em relação a comentaristas esportivos: Renato Maurício Prado, votado no Rio, o que reafirma o caráter provincial brasileiro, é o 1º lugar ao desbancar FHC. - Hiltor Mombach, também da área, está entre os dez com 18.272 ovotos. Bronca de gaúcho (já manifestada contra o governador Olívio Dutra com 19.760) se estende a outro cronista em 11º, Barrionuevo, com 9.265. - Galvão Bueno está bem cotado. Votação contra o Atlético, aqui na província, é outra evidência. A ausência de estrelas das nossas mesas-redondas é sinal curioso, que merece reflexão. Baixa paixão, baixa audiência?
FOLCLORE
Essa dianteira de Taniguchi me faz lembrar eleição em que o PTB se acreditava tão forte no triunvirato de candidatos que lançou um jingle: ‘‘Julinho, Estevam e Gastão// pra que fazer eleição?’’ Só que o Estevam era candidato a prefeito e dançou; já os dois emplacaram. Estevam de Souza Neto, Júlio Rocha Xavier e Gastão Vieira de Alencar, um porre de getulismo. Cassio poderia sacar algo parecido, mas acha que é cedo, embora com 49%. Pode ser arrogância disfarçada em humildade, porém é inevitavelmente inteligente.
CROMO
De todos os fetichistas de que já ouvi falar, ninguém supera um que usava o molinete, como bom pescador, para pegar nos varais meias e calcinhas femininas. A cada lance o grito vitorioso: ‘‘Ferrei!’’ Alegoria é alegria?
AFORÍSTICO
Um juiz do interior atingiu o ideal dos advogados eleitorais de Curitiba: impugnou três dos quatro candidatos.

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