Luiz Geraldo Mazza
Não é nada razoável a postura, próxima da paranóia, da coligação de Cassio Taniguchi. Já conseguiu, com seus bloqueios advocatícios junto à Justiça Eleitoral, dar armas pesadíssimas a uma oposição frágil, descoordenada, sem proposta. Fundamentou praticamente o pedido de intervenção do senador Roberto Requião. Se juntarmos as peças do protesto, jornais apreendidos por exemplo, veremos que deram consistência ao chio da oposição e que temem o contraste.
O pedido de busca e apreensão de um volante de campanha de um vereador pouco imaginoso (que promete, por exemplo, combater o narcotráfico e generalidades do mesmo porte), acabou lhe concedendo espaços na mídia para tentar respaldar o pedido do senador no Tribunal Superior Eleitoral. Ao acentuar a condição de vítima aos quadros da oposição, ele acaba fazendo gol contra.
Eleição, ainda mais no início, tem que evidenciar um mínimo de fair play, já que sem ele não há democracia. Regra não escrita do processo, esse senso de esportividade é indispensável. Impossível pensar nesse comportamento num grupo disposto a imobilizar o adversário com uma camisa-de-força, a acuá-lo, no início de uma campanha. Houve reflexão sobre os efeitos que haveria em torno dos documentos apreendidos? Não dá para crer, já que em nada alterariam coisa alguma, embora a fita do casamento de Andréa, filha de Lerner, seja uma inutilidade para outro lado em termos de ganho.
As demonstrações de força, com uso da Polícia Militar na Boca Maldita na distribuição de volantes contra multas de trânsito, quase criaram um mártir que sofreu gravatas por parte dos diligentes PMs. Ora, se tivessem sensibilidade descobririam que a maioria da população é favorável ao uso de instrumental eletrônico para multar os motoristas. Agindo como fizeram, pareciam demonstrar que o outro lado é que estava com a razão, o que é de uma burrice piramidal.
Se a campanha ficar nesse rame-rame de proibições dá para imaginar a confusão que se estabelecerá na deflagração do horário gratuito. As proibições lembram e muito o regime militar, o seu horror ao contraditório e a apologia dos slides idiotas da Lei Falcão. A repressão é arma fascista e ela faz crescer o verdadeiro chefe de oposição, que é o Requião original, pois esse é seu estilo e seu ecossistema, o de nutrir-se do conflito. Sozinho, o que é um absurdo, o senador bota a situação em pane, ainda mais se ameaçar, só para tirar sarro, que sai candidato a prefeito na hora adequada. Aí haverá choro e ranger de dentes, como se dá a cada vez que se insinua a hipótese.
O fato é que o candidato preferencial da maioria, Cassio Taniguchi, dá a impressão que não confia no povo e nas suas qualidades e teme aquilo que faz parte do processo eleitoral, que é a denúncia e o ataque.





