A Justiça Eleitoral mandou retirar os outdoors da campanha de Cassio Taniguchi, um deles com aquela frase idiota de que ‘‘já vem com quatro anos de garantia’’, atribuída pelos áulicos como um lance de gênio. Está vencido o prazo de validade de sentenças do gênero. Dá, no entanto, para imaginar o clima de velório da campanha situacionista, que estava acostumada a ver esse tipo de adversidade se dar apenas no outro lado com os sucessivos mandados de busca e apreensão na sede do PMDB – que, de tão visitada poderia ter, desde logo, uma guarita com um policial federal de plantão.
A razão pela qual a peça deve ser retirada é um desses detalhes de Direito que escapam à atenção dos mais argutos: no cartaz não aparecia com nitidez a relação de partidos que integram a Coligação Curitiba Sempre com Você. Nossa praxística é assim: formalística por excelência. Como os advogados da aliança situacionista costumam adotar medidas radicais vão ter, do outro lado, a resposta equivalente, elas por elas. Como foi aquele despacho judicial que deu cinco dias para que Cassio Taniguchi apresentasse relatório de gastos com propaganda.
Como o senador Requião, que vive a pleitear o fim da Justiça Eleitoral (ele que, por suas ações transbordadas, tanto a fundamenta), manteve o Judiciário sob extrema coação quando governador, dá para perceber que insiste na tecla de deixá-lo sob suspeição para examinar qualquer demanda em que estivesse interessado. E quantas mais decisões vierem e que atinjam o PMDB ele se valerá da tribuna do Senado e dos seus serviços gráficos para a condenação.
Se a situação quer condenar a oposição à inércia, esta não deixa por menos e pretende aniquilar o adversário, se possível tirando-o de campo pela impugnação, um cartão vermelho antes de começar o jogo.
Está na hora da mesa-redonda entre as partes. Não a dos partidos aliados como houve nesse início de semana num pacto da oposição ou a da frente situacionista, mas a de um encontro entre os litigantes promovido pela própria Justiça Eleitoral não para definir as regras do jogo, que já estão fixadas em lei, mas para aproximar as visões interpretativas, hermenêuticas, do processo eleitoral. Como está não dá para ficar. E o balizamento, a ser fixado, deve observar o axioma de Horácio - o ‘‘modus in rebus’’, moderação nas coisas.

mockup