Luiz Geraldo Mazza
Como se tenta levar a eleição, de todas as formas, para o tapetão, no fulgor das rabulices tivemos, anteontem, novas demonstrações de que o sistema vai fazer marcação cerrada contra a oposição, especialmente aquela que joga com beques de fazenda, na frente do gol, o PMDB. Um volante, que tinha muita semelhança com os bolados por Fábio Campana em 1985, quando Requião, na garupa do governo, derrotou Lerner por menos de 19 mil votos, mostrava a turma do segundo irmão, bonitinha, pasteurizada, em oposição ao time de FHC e notórios membros da bandidagem nacional. Em 85, a sacada maniqueísta era botar a gente limpa da oposição vitoriosa no governo, Richa à frente, em aberta diferença com a milicada do regime e mais ainda, para dar cor forte à história, soldados marchando em passo de ganso como os nazistas. A frente situacionista obteve da Justiça a busca e apreensão desse material na sede do PMDB, área mais invadida do que terra pública pelo MST.
Está demonstrado claramente que a fúria maior da campanha ficará por conta dos bacharéis de folhas. Como sempre, a equipe do governo é melhor estruturada do que as de oposição e não dá folga, não abre o mínimo espaço, nada deixando sem uma resposta mais fulminante do que a eventual provocação. Publicitários e supostos marqueteiros (apesar de presunçosos os que assim se caracterizam, não creio em sua existência, menos concretos que são do que o vampiro Trevisan) vão ser menos importantes do que das vezes anteriores quando se apresentam como os ganhadores eles, sim, não os candidatos dos pleitos. É que a bola toda está com os advogados e isso em todos os lados. São objetivos, rápidos, não se enrolam e mandam bala o tempo todo, pouco se importando que o cerco possa aparentar excesso de medo do time de Taniguchi. Tanto que a oposição, sabendo que são reduzidíssimas as suas possibilidades, está, em mais de um processo, pedindo a impugnação, pura e simples, do prefeito.
O clima até agora é lastimável e é apenas uma amostra do que ocorrerá a partir do horário gratuito no rádio e na tevê. Prenuncia-se um lixo, uma cloaca máxima, com o que cairá ainda mais o conceito que a população, de um modo geral, tem dessa deplorável classe política, incapaz, inepta, de uma singela idéia nova, com força para sensibilizar as pessoas.





