LUIZ GERALDO MAZZA
Boi de piranha
A Petrobras se transformou no boi de piranha da morte do Rio Iguaçu. Até Porto Amazonas, há muito tempo o rio está morto. Nem a circunstância de depois do Salto do Caiacanga, que deu origem à primeira hidrelétrica, haver sequência de saltos e rápidos que permitem maior oxigenação das águas, o curso dagua está um lixo. Já era, há muito, um cadáver insepulto, mas agora os oportunistas se valem de uma indesculpável falha da estatal para ocultar sua responsabilidade na degradação do rio.
Com sua ligeireza habitual, tanto o governador como vários aliados se valem da ocorrência, esquecendo das suas ações e omissões, desde a montagem da Cidade Industrial que teve dinheiro de sobra, algum a fundo perdido, para montar aquele complexo e que não parece ter sido tão ecológico, quanto sugere a propaganda, na sua estruturação. Isso sem falar que não houve qualquer providência que levasse em conta a continuidade do massacre que ainda persiste contra a bacia hidrográfica, especialmente na referência a tributários como o Barigui, Belém, Ivo, Água Verde, Juvevê e Atuba. A construção dos parques, que é mérito inegável para regularizar vazões, nada altera na parte fundamental quanto ao controle da qualidade da água. O paisagismo e as áreas de lazer são uma forma de mimetismo: a embalagem dissimula o conteúdo.
Vamos exigir que a Petrobras pague por sua irresponsabilidade, mas sem esquecer a parte que cabe tanto aos governos (não apenas o de Lerner, mas outros estaduais e municipais) nessa aberração, visível na destruição por método da principal fonte de recursos hídricos, que sustenta o abastecimento não apenas de Curitiba como ainda tem servido de fundamento ao colar de usinas que fazem do Paraná um dos principais produtores de energia elétrica do País.
Como o oportunismo é uma regra do jogo dos políticos profissionais, está na hora dos que não o são, e até por isso têm maiores compromissos com o futuro, de exigir que se aproveite essa tragédia menos para promover falsos líderes e objetivos circunstanciais do que para tentar, agora, talvez como oportunidade derradeira, a recuperação que todos, povo e poder, devem ao Iguaçu.
AFORÍSTICO
Depois do impacto ambiental e da geada, o que falta?
BIZARRICE FHC 28.174, Requião 14.370, ACM 12.122. Este era o ranking de ontem do Ovoneles, que não é bem um motivo para comemorar com champanhe como fazem os pilotos da Fórmula 1. Lerner vinha em 8º com 8.773, Maurício Requião em 32º com 2.212, Cassio Taniguchi, lá embaixo, com mais de 800 e menos de 900. Estou com 924 em 77º, na frente do Lalau e do Sérgio Naya.
AXIOMA O tom agressivo das intervenções de Maurício Requião (iniciais MR como as de Max Rosenmann) é o anverso da postura propositiva do PT que tem o bom gosto de não tratar de globalização e neoliberalismo, como fazia normalmente. Já Maurício está lembrando em tudo a campanha de Max e que levou o PMDB a perder representatividade na Câmara Municipal.
GLOSA Ainda o tapetão: ontem a coligação oficial Curitiba sempre com você pediu a cassação da candidatura de Maurício Requião por causa do crime eleitoral das correspondências da Gráfica do Senado empregadas pelo senador Roberto Requião em ajuda ao irmão.
Se ficarmos na dependência dos advogados, que tendem a ser mais estrelas do que os candidatos, não haverá eleições porque todos acabarão impugnados.
EPIGRAMA Uma iniciativa do senador Roberto Requião, a que extingue bingos, seria saudada como salvadora por famílias, vítimas da desgraça da jogatina que beneficia uma minoria e detona patrimônios. A praga é mil vezes pior do que aquilo que Dona Santinha, esposa do General Dutra, via nos cassinos, aqueles uma brincadeira perto da proliferação delinquente dos bingos.
Por sinal que um dos maiores donos de bingo é Onaireves que, segundo um diretor da Federação de Futebol, Joelson Pissaia, teria ficado pobre ao gerir o esporte, estando com menos de 5% do que tinha em anos passados.
FENÔMENO Ratinho, o apresentador de TV, é um fenômeno: levou 10 mil pessoas a um comício do Paulo Furiatti, candidato a prefeito, na Lapa. E isso no sábado, em noite geladérrima. O irmão de Paulo, o engenheiro Civil, Fábio, é produtor dos programas do Ratinho. Tudo na base da afetividade e fraternidade.
ALIADO O presidente da Federação de Futebol, Onaireves Rolim de Moura, aposta no sucesso hoje de um habeas-corpus. Como é o dono do PSD (Partido Social Democrático), integrante da aliança Curitiba Sempre com Você de Cassio Taniguchi, e permanece na Colônia Penal Agrícola, só falta agora o patrulharem sob o receio de que tente proselitismo eleitoral com familiares de visitantes no interior da prisão.
SPRAY Campanha eleitoral é tempo de redobrar cautelas: uma turma que andou na tal Boate Cristal foi fotografada e corre o risco da exploração. - Dias passados, tivemos a inusitada reunião do conselho político de Taniguchi na Secretaria do Meio Ambiente, o que não é permitido em lei. E para complicar havia ainda um conselheiro do Tribunal de Contas, o que é nada ortodoxo, já que não se tratava de Henrique Naigeboren. - O candidato Maurício Requião está muito preocupado com a fotogenia e teria despendido dezenas de horas tirando fotos com o artista, craque da modalidade, Maneco Guimarães. Uma boa foto e Vanhoni que o diga (lembram daquelas expressionistas da campanha de deputado?) resolve boa parte dos problemas de comunicação. Outras não substituem a necessidade de cirurgia plástica.
FOLCLORE 1 Ontem o Ponto Frio arrematou a Disapel. Mais uma adversidade dentre as muitas que marcam o momento econômico do Paraná. Pergunta-se: e o marketing da Leleca e da estante Capelinha pelo menos vão ficar?
FOLCLORE 2 Piada dos ambientalistas: o Iguaçu foi prostituído por todos e agora querem obrigar a Petrobras a casar-se com ele por havê-lo engravidado.
CROMO Antes de enegrecer, o rio, hidrófobo, espumava, enlouquecido.





