Da mesma forma que a oposição se desespera atrás de uma saída pelo tapetão para tirar Cassio Taniguchi, que dificilmente perderá (e com vitória assegurada no primeiro turno), também a escola de samba situacionista botou em campo a sua ala de rabulices para enquadrar os adversários. E querem pegar o senador Roberto Requião em cima de um velho hábito – o de valer-se das estruturas do Senado, como se já não bastasse o emprego da TV dos pais da pátria, para sortidas políticas e visando beneficiar seu ‘‘regra 3’’, o irmão Maurício, na campanha municipal.
Todos se recordam da decisão do Supremo Tribunal Federal que cassou o senador Humberto Lucena, o Justo Veríssimo do Chico Anísio, pelo uso da gráfica da Câmara Alta para produzir calendários, empregados em campanha eleitoral. Lucena foi salvo pelo gongo com um ato de anistia do presidente da República, ex-colega do Senado. As situações podem, sob o ponto de vista jurídico, não guardar simetria absoluta, mas no rigor da analogia, parecem pertinentes: Requião mandou uma de suas habituais correspondências para favorecer o irmão com a denúncia do aluguel de carros no município, o que também havia quando esteve na mesma prefeitura e que já prevalecia com seu antecessor, Maurício Fruet.
O senador Requião é contra a existência da própria Justiça Eleitoral. Já o afirmou várias vezes, mas poucos como ele comprovam a necessidade dessa instância especializada. Basta lembrar o caso ‘‘Ferreirinha’’, tido como o maior estelionato eleitoral da história paranaense, e o hábito que o seu grupo cultua de criar factóides. Com o emprego, inclusive, de armas como a da clara manipulação feita em cima das certidões da aposentadoria de José Richa, aliás no uso inquestionável de um direito pré-estabelecido em lei – o de ter a pensão de ex-governador e que até agora apenas Requião e Alvaro Dias dela não se valeram porque a consideraram ‘‘imoral’’ em pregação eleitoral.
É tão boa a Justiça Eleitoral, que deu prazo para o Cassio Taniguchi mostrar seus gastos em propaganda nos quatro anos. E o PSDB, que não tem chances de fazer o terceiro lugar, também já fez a impugnação do candidato preferido, o que já é um avanço em relação ao abominável ‘‘acordo branco’’ que transformou Alvaro Dias num senador biônico, ainda que eleito diretamente.

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