Luiz Geraldo Mazza
Estamos diante de um infortúnio, mais do que isso uma hecatombe, com o caso do vazamento do petróleo na Refinaria de Araucária. Como Jaime Lerner é tido como o campeão do marketing, houve quem apostasse que se valeria do episódio, até por seus aspectos dominantemente negativos, para exigir, de repente, que a Petrobras recuperasse o rio que os governos, incluindo o atual, têm transformado em esgoto e explorado, ao exagero, em energia.
O que houve até agora não chega nem de longe aos incêndios florestais de 63 no Paraná sob Ney Braga ou com as enchentes de Santa Catarina que acabaram até gerando a abominável Oktoberfest que a população trabalhadora de Blumenau deseja ver extinta, embora os defensores do prazer a estimulem. Como fazer essa mágica e transformar uma tragédia como essa, que afronta justamente uma das empulhações paranaenses, a da ecologia, em algo positivo?
Lerner até está se saindo bem nas suas intervenções relativas ao tema; Cassio Taniguchi, mais prático, já está querendo um parque no complexo petroquímico para aumentar as condições de prevenção de acidentes em lagoas de contenção e com muito paisagismo. De fato encher a Petrobras de multa nada resolve, uma vez que o ideal seria obrigá-la a salvar o Iguaçu até porque, além da Refinaria de Araucária, ela é responsável, mais lá na frente, em São Mateus do Sul, pela Usina do Xisto e seu complexo industrial, bem como os efluentes e também pelos efeitos da mineração e deposição de resíduos.
Ensinam os manuais de lutas marciais que se deve sempre valer-se do peso e da força do próprio adversário, neste caso a indigitada Petrobras, cada vez menos sacralizada por arte dos amigos e inimigos, aqueles pelo corporativismo e esses pela má intenção, para domesticá-lo. É uma dica para os marqueteiros, já que o uso político da calamidade está em plena efervescência, como se viu na série de institucionais na televisão.





