Luiz Geraldo Mazza
É hora da safra de marquetólogos, de supostos gênios, chutando a torto e a direito. E uma das obras-primas está num outdoor em que Cassio Taniguchi aparece, sorrindo como sempre, e com o título (ah, essa velha fixação de fazer do político um produto, a reificação, o homem refletido na mercadoria de que falava Marx!) já vem com quatro anos de garantia. O autor deve ter sentido arrepios na espinha quando sacou a frase. Se está com essa bola toda, a validade venceu: a garantia é pretérita, isso é do passado e, pelo jeito, se for eleito fica a metade do tempo, pois não há outro postulante à vista para a sucessão de Lerner, apesar da entrada em campo do Alceni Guerra, com aquele ar de mártir do denuncismo.
Quando mais afinada a sintonia do recado, mais próxima permanece da caricatura. Na redemocratização, em 82, tivemos aquele outdoor do PDS em que se colocava o dilema: Saul ou um salto no escuro. A oposição botou vírgula depois do Saul e tirou o ou. Ficou assim: Saul, um salto no escuro que poderia até, com um pouquinho mais de maldade, ficar um assalto no escuro.
Ademais, os quatro anos de garantia de Lerner não constituem boa lembrança, bem como os de Fernando Henrique. Lerner é o 24º de uma lista de 27 governadores; Cassio, o 14º de 26 prefeitos de capital, segundo o Brasmarket. Assim, pois, se essa referência visa neutralizar a indisposição do público diante da reeleição pelo jeito ela, na verdade, apenas a reforça.
Por falar em Lerner, ele não é uma bateria Duracel: prefeito três vezes em Curitiba e com o mesmo repertório já se trata de produto, para usar a qualificação dos gênios, que carece de urgente reciclagem. Cassio não pode ser um Lerner mais magro e mais ágil. Precisa impor a sua imagem autônoma porque só os corifeus arraigados ainda o encaram como um dependente do governador.





