LUIZ GERALDO MAZZA
Este governo de gênios abriu ou melhor arrombou o mercado para a chegada das montadoras e de toda a malha produtiva e, além disso, outras empresas adubadas com renúncia fiscal e estímulos absurdos. Pois agora um setor que emprega muito mais (e nesse ponto o Osmar Dias tem razão), o agroindustrial, enfrenta um ponto de estrangulamento de difícil superação: esmagadoras de soja estão fechando as portas, como se deu com a Cargill, em decorrência de problemas circunstanciais de mercado nacional e internacional.
Há quem guarde uma visão conspiratória do mundo, de tal ordem que quando um grupo de empresas acusa retração e antecipa férias coletivas, vê tudo isso como uma forma de pressão e até chantagem. É possível que os homens do governo que vivem a gargantear as vantagens do novo perfil econômico do Paraná e não enxerguem seus efeitos colaterais e choques anafiláticos (fechamento de empresas, desnacionalização, desparanização) se alinhem nessa postura.
Aliás, é até possível que o façam porque uma das dificuldades alegadas está nos créditos a que teriam direito por pagarem pesado ICMS pela viagem da soja pelo território nacional e que são dificultados por nossa pasta fazendária. Além da Cargill, uma das pioneiras na montagem do complexo de oleaginosas de Ponta Grossa, há ainda a Ceval e a Olvepar, a Coimbra de Londrina e as unidades de esmagamento da Coamo e da Agrária de Entre Rios. Algumas fecharam e outras reduziram a produção à metade.
O desejo do crédito em ICMS de forma automática pode até ser um absurdo, mas que se torna aceitável quando se vê tanta concessão a setores que ficam desobrigados por quatro anos, além dos subsídios escandalosos como cessão de terrenos, facilitação de infra-estrutura e até associação, como se deu com algumas das montadoras em que o Estado pródigo virou sócio.
BIZARRICE
Informava-se ontem, na área esportiva, que Onaireves Moura chegava ao ponto de despachar processos na prisão, isso sem falar que atendeu dirigentes de ligas amadoras, sua base reeleitoral na FPF
OVO DE COLOMBO O deputado Irineu Colombo, líder da oposição, entrou na cola do Tribunal de Contas que vivia a pleitear o controle sobre organizações sociais como a ParanaCidade e fez uma denúncia formal. Por que a oposição quer atingir o ParanaCidade? Por causa das eleições municipais, uma vez que a instituição tem capilaridade e ao lado da área de habitação (Rafael Dely) apresenta obras consideráveis em todo o território. Como não dá para negar a obra, urge tisná-la com a suspeição, algo apropriado ao momento.
Pois bem: as contas do ParanaCidade estão, há muito, na Assembléia e Irineu sabe disso. Percebendo a manobra, que levaria à denúncia ao Ministério Público Estadual, Lubomir Ficinski, o secretário, saiu à frente e botou na Internet no site www.paranacidade.org.br. o parecer do Caoci, órgão do Tribunal de Contas delegado (convênio com o Banco Mundial) que examinou a matéria. Colombo, o navegador, botou um ovo de pé e o deputado quis listar mais um órgão estadual na relação do Ovo Neles!.
AXIOMA Não fosse o clima na Prisão Provisória do Ahu, para onde pretendiam mandar o Onaireves Moura, e ao movimento lá existente (revisão de processos, a superlotação) haveria uma reivindicação especial para o dirigente esportivo: o ingresso do Asas, time de futebol presidiária, na Divisão B.
GLOSA Caso Eduardo Jorge só tinha uma saída decente: a CPI. E ACM tem razão de pleiteá-la porque foi o autor da CPI do Judiciário que apurou as façanhas do juiz Lalau que se dava muito bem com o secretário da Presidência.
SPRAY Rebelião em presídio é rotina. E o problema, que pede soluções permanentes, não pode ser enfrentado porque a lista de reivindicações dos amotinados como a da revisão de processos (muita gente já cumpriu pena e lá permanece) e superlotação é comum em todos os casos. - Tanto um quanto outro problema são empurrados pela barriga como método sob a alegação de falta de recursos. Ora o reexame de processos poderia reduzir justamente os níveis de superpopulação. - Depredar e queimar, como fizeram ontem, é algo que exige um mínimo de firmeza da autoridade, obrigando, por exemplo, os rebelados a refazer o que destruíram. Terapêutica ocupacional e pedagógica. Quem gosta de moleza é bêbado na ladeira. - Uma esperança tênue para Antonio Belinati ontem com o despacho que atribui ao juiz, antes colocado sob suspeição, de apreciar se o vereador Orlando Bonilha agiu ou não com espírito retaliatório, afinal declarado, na votação do impeachment. - Prisão do Onaireves Moura teve efeitos rápidos: dezenas de devedores da previdência, com processos em curso, tomaram o cuidado de pagar o que deviam. Tem mais gente na lista, mas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul processos com prisões são mais frequentes. O empresário imobiliário, dos mais fortes do Sul do País, o Kazeka, da Praia de Camboriú, é um dos que estão presos. - O governador Jaime Lerner corre o risco de ser justiçado pelas armas que usou contra os seus adversários: professores, por exemplo, vão se mobilizar contra ele, da mesma forma que o privilegiaram contra Alvaro Dias (caso das bombas de 1998); agora vão pegar no seu pé como fizeram com Alvaro por causa do seu novo apartamento que na eleição de 1994 prejudicou seu oponente quando o candidato Jorge Miguel Samek mostrou a planta do apê do candidato do PP. Rima e é verdade. - Um dos que visitaram ontem, na Polícia Federal, o presidente da Federação de Futebol foi o presidente da Portuguesinha de Londrina, Hélio Camargo.
FOLCLORE Lerner se reuniu com seu staff político e decidiu que ficaria apenas na Região Metropolitana para evitar divisionismos com os candidatos da sua base de apoio. Se não é menas verdade, como diria Lula, não é uma verdade inteira: no interior, Lerner está péssimo e não lhe convém qualquer gesto de audácia que reacumularia energias nos adversários.
CROMO O caos recitado nos lábios da Fernanda Rocha, na Globo, fica menor diante do talento e da beleza da apresentadora. Que teriam Brecht ou Stanislavski para ensiná-la?
AFORÍSTICO Se a oposição não cresce com um governo que lhe dá tanta bandeira é de concluir-se que a sua incompetência chega à sublimidade. A sublime idade, como diriam os poetas concretos disfarçados em trocadilhistas.





