Luiz Geraldo Mazza
Antes eram os jornais que publicavam, à maneira dos folhetins, em fascículos, contos e novelas como os de Xavier de Montepin. Quem folhear a coleção do primeiro jornal paranaense, O Dezenove de Dezembro, perceberá que se tratava, em 1854, de um hábito comum na imprensa mundial. Aliás, em que campo iriam se meter os literatos se não por aí? Já em sociedades mais amadurecidas como a dos States iríamos ver como o cinema absorvia escritores célebres como roteiristas, autores de scripts. Entre alguns que faziam mais cinema do que literatura estavam Dalton Trumbo e Horace McCoy.
É o que se dá com atores teatrais nas suas relações com a tevê, um campo que tavez não tenha a dignidade do palco, mas que se constitui em oportunidade de trabalho frequente e que facilita a promoção do profissional junto à massa. Mas hoje quero falar de uma cena ocorrida na pequena Palmeira, cenário da saga dos anarquistas da Colônia Cecília, quando o Cine Victória da família Chede (o patriarca João seria presidente da Assembléia Legislativa na redemocratização em 1947 e o filho, o Jonel, hoje presidente da Associação Comercial, já de saída) apresentou o filme em longuíssima metragem E... O vento levou.
Nesta semana produzi para um portal da Internet (www.Curitibaonline.com) uma crônica de memórias da cidade ilustrada por uma foto do Cine Avenida e com a película famosa em cartaz. A tantas fiz um paralelo entre o frisson de uma época em que o cinema era um templo numa capital, anos 40, e o ocorrido em Palmeira. É que lá o equipamento não estava preparado para o longa-metragem e os limites da exibidora a obrigaram a apresentar o filme em partes, capítulos, como uma telenovela ou uma dessas séries da Globo.
O Jonel costuma brincar com o episódio dizendo que dentre os pioneirismos de Palmeira, ao lado da fama do seu clima e dos seus sorvetes e pastéis, está o de haver precedido o folhetim eletrônico da Vênus Platinada.
CAMPANHA





