Apesar de haver um razoável número de obras no Paraná e estar com campanha publicitária de saturação, as lideranças do interior não fazem questão alguma de que Lerner apareça para o proselitismo eleitoral. E o governador, dotado de suficiente senso de autocrítica, decidiu por sua conta ficar apenas na capital, onde acredita deter ainda resíduos da mitologia que erigiu em mais de três gestões, já que antes disso foi dirigente do IPPUC e desde esse tempo acumulou ações na cidade. Há quem acredite que o melhor seria conferir maior raio de autonomia a Cassio Taniguchi, até porque o prefeito deve ser, à falta de quadros, se reeleito, o candidato à sucessão em 2002 no governo do Estado. Cassio é a esperança do esquema político-empresarial de resistência à ameaça de perda do poder, quer para Alvaro Dias ou Roberto Requião, ambos com dificuldades de penetração enormes na Região Metropolitana.
Essa dificuldade de ir ao interior começa pelo segundo maior pólo urbano e eleitoral, Londrina, em função das sequelas com a cassação do seu aliado mor, Antonio Belinati e também de Dona Emília, a vice, alcançada, direta ou de forma indireta, pelos respingos da cloaca vazante. Tudo se agrava porque Curitiba e Londrina é que garantiram a vitória de Lerner sobre Requião e hoje as forças situacionistas estão de tal forma desarvoradas que proporcionam um espetáculo como o de Cascavel em que até o PFL embarcou na candidatura de um oposicionista e só mudou de convicção quando ameaçado de perder as ‘‘bocas’’ que detém no governo, muitas delas com o mesmo nível, moral e técnico, daquela que presenteava um ex-vice prefeito, Hostílio Lustosa, na Educação.
Nem por isso o governo pode ser subestimado, tanto nos municípios médios quanto nos pequenos. O fato é que há uma atmosfera negativa mesmo naquelas cidades em que são visíveis os feitos de alguns programas do governo como os de educação, saneamento, saúde, habitação e especialmente os que recebem grana internacional como os da secretaria de Desenvolvimento Urbano e que ajudaram a elevar a dívida do Estado de menos de R$ 1 bilhão para R$ 15 bilhões, estes números do ano passado.
A CPI das Drogas, os casos de corrupção (Banestado, Jogos da Safadeza, questão londrinense que pode redundar em metástase, se aprofundada), quebra financeira do aparato público e seu desmantelamento – tudo isso é tatuagem em cima do governo. Como se diz que o governo sempre sai com um terço dos votos, é de esperar-se na área oficial que aí se aduza o terço de reza para salvar-se.

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