Do futebol às greves universitárias (a do Hospital das Clínicas, mais das universidades de Londrina e Maringá) percebe-se que em tudo há um fator abrangente como causa-matriz: a absoluta falta de prestígio do Paraná, dos seus governos, porque o fato não se limita ao atual, e suas lideranças. A jogada da CBF, mais o ‘‘cartel dos 13’’, tudo a mesma empulhação, que descartou o Paraná Clube da elite do futebol brasileiro é uma amostra. Ocorre que Paraná, Rio Grande do Sul e Minas estavam no mesmo parâmetro com três representantes. O Paraná dançou e os outros Estados, que têm mais prestígio (e não contam com um omisso e comprometido apenas com interesses pessoais na Federação de Futebol), emplacaram o América e o Juventude.
No caso das greves, tanto as das universidades estaduais como a do Hospital das Clínicas, também pesa o imobilismo oficial: pouco fizeram governos estaduais para que essas unidades fossem federalizadas. Quando ministro, Tarso Dutra, gaúcho, federalizou todas do Rio Grande do Sul. Tivemos na Educação, logo depois do golpe, o Flávio Suplicy de Lacerda e, em seguida, Ney Braga e Euro Brandão. Nada foi obtido.
O Hospital das Clínicas, alvo hoje de greve que passa a assumir um caráter selvagem (e está a exigir uma reação mais forte na Justiça), é um dos poucos hospitais-escola que pagam o seu pessoal com seus recursos e não os da área ministerial. E não custa lembrar que além de Aramis Athayde, no fim dos anos 50, tivemos na pasta da Saúde Luis Carlos Borges da Silveira e Alceni Guerra que também não moveram uma palha para minorar os problemas com o pagamento do pessoal por via federal.
Essa endêmica falta de pulso das lideranças paranaenses está aí a influenciar na raiz esses problemas que nada têm de transitórios. Da mesma forma que o governo da União não atenderá aos grevistas do hospital o estadual não poderá, por imposição clara da Lei de Responsabilidade Fiscal, atender à demanda das duas principais universidades estaduais. O pior é que o governo é despersonalizado: aceita, sem qualquer reação, a aplicação do ‘‘auxílio- moradia’’ dos magistrados, como se ela não afetasse os dispositivos da Lei Camata, e endurece a parada com os mais fracos, os servidores do Judiciário, que ganharam no STF a reposição de 56,03% e que são driblados nesse direito.
Age bem o governador Lerner ao decidir permanecer na Capital no período eleitoral: aqui ainda há brasas da fogueira da mitologia que criou a seu próprio respeito, mas é visível que Cassio Taniguchi o superou e até pode se dar ao luxo de aparecer ao seu lado em comícios e visitas porque o Requião verdadeiro está fora da disputa e o prestígio do prefeito compensa a acentuada degradação política de Lerner. Não é o abraço do afogado porque o nadador é bom e até se mostra, no caso, capaz de fazer flutuar uma âncora de navio.
AFORÍSTICO
Qual o santo procurado pelos políticos em tempo de eleição: São Judas Tadeu seria o indicado por fazer mais milagres, Santa Edwiges para acertar as dívidas impagáveis e São Expedito pelas causas impossíveis?
BIZARRICE As linguiças consumidas no Paraná não passaram no teste de qualidade. Houve constatação de salmonela, o que dá a entender a gravidade da questão. No setor de neurocirurgia do HC, anos passados, verificou-se que 10% dos casos de cisticercose tinham origem na linguiça.
Como dizia Bismark, o povo deve ignorar, por método, como são fabricadas as leis e as linguiças. A simetria é adequadíssima. Há quem ache as leis bem mais perniciosas do que esses derivados da carne.
AXIOMA Segurança de FHC testou o alcance de arremesso de ovos e concluiu que 60 metros é distância que nem ‘‘arremessadores de elite’’ alcançariam. Isso é o tipo da burrada que vai estimular o surgimento de catapultas ou a adoção, o que é pior, do ovo cozido, que é praticamente uma pedra e que machuca.
GLOSA Um líder das greves universitárias falando na televisão disse que tudo ia continuar porque não ‘‘houveram’’ avanços. Matar aula, tudo bem, quem sabe seja até melhor; mas ‘‘assassinar’’ regra elementar de gramática pega mal. Pelo jeito não houve melhoras na linguagem em parte do corpo docente, o que acaba afetando a do corpo discente.
EPIGRAMA Maurício Requião sugere que a desaprovação de 73% a FHC decorreria da reeleição que o povo supostamente abominaria. Tanto não é verdade que Cassio Taniguchi está com 34 pontos acima dele e tem tudo para ganhar como se deu com Lerner em relação ao seu irmão, Roberto, tudo em reeleição.
SPRAY Universidades estão como outras instituições enfrentando greves e mesmo quando ficam nítidos problemas sérios que afetam interesses gerais (operação hospitalar, realização de vestibulares) a direção age com tolerância demasiada e deixa de procurar a instância apropriada, que é a Justiça. - O governo FHC deu uma lição nos petroleiros inesquecível, quando obteve da Justiça multas diárias que puseram em risco a estabilidade da Federação obreira. Mas outros preferem o ritual do ‘‘politicamente correto’’, mesmo quando o interesse da maioria é afetado. - Na verdade, o governo FHC age com extrema brandura com o MST, o que o estimula à reprise como essa de ameaçar invadir, pela segunda vez, a propriedade da família em Buritis. Para quem está com 73% de rejeição não será uma atitude mais firme do governo diante de abusos, como aqueles que frequentemente são praticados pelos sem-terra, que o desgastará um pouco mais. - Para o bem da democracia é indispensável ter um mínimo de referência legal no cenário de anomia que envolve o País. E não é bom justamente para o que é tido como ‘‘base popular’’ que cresce mais em função da apatia e tolerância das autoridades do que pelo apoio crescente ao movimento social. - A pobreza política do governo Lerner está expressa no lamentável episódio de Cascavel e a reversão do processo, quanto ao apoio a Edgar Bueno, em nada o favorece. - A CPI das Drogas, a estadual, vai ouvir, em breve, os donos de desmanches da Região Metropolitana, inclusive o Caboclinho, que está preso.
FOLCLORE Diz-se que quem foi picado por cobra tem medo de linguiça. E está certo porque, conforme análise laboratorial recente, a linguiça é letal.
CROMO De tanto contemplar estrelas e galáxias, o astronomo se surpreendeu ao descobrir que as verrugas lhe ornavam as mãos.

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