Luiz Geraldo Mazza
Pesquisa da Vox Populi, divulgada ontem, sugere que apenas 22% do povo está preocupado vivamente com a eleição municipal, que 27% não têm o mínimo interesse no processo, que o grau de satisfação do eleitorado com prefeitos atuais é razoável (o regular vai de 34% a 36% e o negativo de 30% a 27%). Ora, esse diagnóstico é bem diferenciado do mostrado pelo DataFolha que todos, tanto oposição quanto governo, comemoraram ao som do espatifar de sorvetes na própria testa, o que em nada contribuiu para esfriar-lhes a cuca.
Há uma apatia do público em relação ao lixo da política. Mesmo eleições de caráter localista, que despertam maior motivação, não conseguem alterar esse quadro niilista, rigidamente negativo. Mas como pode haver interesse se o PPB do Maluf acaba malufando, o que é uma redundância e pulando fora da competição eleitoral, para a qual fizera tanta encenação e até briga no Judiciário, e, após, acaba aderindo à chapa oficial, como todos sabiam, que mais cedo ou mais tarde, iria acontecer?
O governo, que sua nas mãos em plena distonia com a amostra DataFolha, ao perceber que a oposição reunida cresce 30% e, portanto, mais do que ele, acha que a adesão do PPB e do Tony Garcia não têm efeitos morais negativos ou pensa, ao contrário, que com essa cara conquista soma efetivamente mais 8% com o que passaria a 52% na soma com os 44% de Taniguchi? O complexo de aparelho é o que mata o raciocínio: um partido sem militância, como é o caso do PPB, crê que as suas decisões internas, como a de estudantes em assembléia do DCE e da UNE e baixam proclamações detonando os Estados Unidos da América do Norte, são eficazes e não limitadas ao nicho delirante em que foram gestadas. Também desconsideram a percepção do povo enojado com essa atividade, a da política, que está a reclamar um aterro sanitário para drenar o chorume que a impregna por todos os lados.
Com prefeitos cassados ou sob ameaça, já que são mais vigiados que governos estaduais ou a Presidência da República, a náusea se amplia e cria um clima adequado para os aventureiros por se saber que haverá um alude de votos nulos e brancos e que se o voto fosse facultativo o eleitorado presente às urnas mal chegaria aos 35%. Nem isso leva a fauna à tomada de consciência.





