Luiz Geraldo Mazza
Em política sempre se acredita normal fazer omelete sem quebrar ovos, tirar a meia sem remover o sapato, daí não espantar que, diante do último DataFolha, todos, do situacionismo e da oposição, comemorem os números. Isso não espanta porque política é uma arte muito próxima da prestidigitação, de inteiro domínio do menino Euler, consagrado pelo Fantástico, na qual se viabiliza que num jogo de pôquer é possível que todos blefem ao mesmo tempo.
A interpretação é, no mínimo, leviana, seja a da oposição que superestima o seu potencial, seja a do governo que olha um flagrante de uma pesquisa favorável, como se ela não estivesse condicionada a circunstâncias e como se tal realidade não fosse transitória.
O triunfalismo de todos diante dos mesmos números dá impressão de sublime idiotice com os agentes políticos espatifando sorvetes na testa, modalidade que se estivesse inscrita nos Jogos da Austrália daria ao Brasil, pelo menos com esses representantes, a medalha de ouro.
Quem cresceu mais entre os dois DataFolha e o Ibope: o governo, que salta de 31 para 42% e daí para 44% ou a oposição, que todos sabem fraquíssima, e que pulou em dez dias de 27% para 35%, depois que o Requião original foi substituído pelos genéricos? Requião chegou a 30 (sua taxa de rejeição é bem maior do que isso) e os manos Maurício e Eduardo perfazem 19, subindo, de uma sondagem para outra, nada menos de sete pontos.
Com o senador fora do páreo, esperava-se migração em favor de Taniguchi, o que não houve e olha-se o patamar atingido como se fosse o teto (44 pontos), quando é sabido que o governo tem tudo para subir no andamento da campanha, como sempre aconteceu, e que a oposição, se souber conduzir o processo, pode igualmente levar a disputa para o segundo turno, sua aspiração maior, o que, de saída, prova consciência dos seus estreitos limites.
O candidato mais técnico da oposição é Luis Forte Netto e o mais político o do PT, Ângelo Vanhoni. Este fará campanha light porque sabe da força dos sedimentos da lavagem cerebral a que a cidade é submetida há longo tempo. Quem vai assumir o tacape é Maurício e quem vai jogar peteca é o Eduardo. Cassio continua com problema diverso dos irmãos Requião, que dependem do tutor, mesmo que sugiram o contrário; o candidato oficial não será beneficiado se Lerner aparecer como seu eleitor principal. Quanto maior seu raio de autonomia, melhor será para a sua campanha e ao partido.





