Luiz Geraldo Mazza
Dá a impressão, tal a maneira como o governo evita defender-se no caso do bloqueio senatorial aos empréstimos do Paraná, que se aposta exatamente no silêncio, na omissão, como se Jaime Lerner fosse, a despeito das dimensões do corpo, um iogue indiano. Daqueles que deitam em cama de prego e atravessam o corpo com uma cimitarra sem pingar sangue e ainda por cima com aquele sorriso que dá ao homem um ar de japonezinho gorducho.
E, surpreendentemente, essa mansidão bovina parece dar resultado. A algaravia oposicionista - a gritaria do coral suburbano seguindo as ordens do gauleiter e querendo montar na marra uma CPI sobre as montadoras, o esforço persistente de senadores buscando complicar o Paraná na questão dos precatórios - parece estar na base do Ibope surpreendente de Lerner, na lavada que dá em Curitiba no próprio Fernando Henrique de 43% a 24%. Afora o afluxo de investimentos não há um fato visível de ações do governo, razão pela qual só se pode creditar o feito a um gol contra dos oposicionistas. Do irado Requião a esse homem-show Álvaro Dias, ambos dizendo em tons diferentes, que Lerner nada faz.
A equação que parece absurda tem seus fundamentos: o vitimalismo é um dos tiques clássicos da política brasileira e que de repente pode reconduzir até um Collor de Mello ao centro do espetáculo, o que aconteceu aqui no Paraná quando Lupion retornou, depois de massacrado pelos adversários. Ou ainda o que ocorreu com Jânio, o renunciante, que voltou à prefeitura de São Paulo. Mas o mais forte dos eventos, sem dúvida, é o suicídio de Getúlio Vargas, resposta à República do Galeão na qual os militares queriam depor o presidente e viram a frente populista PSD-PTB ficar no governo com JK.
Como o governo tem pouco a mostrar, o cerco do Senado parece assegurar aura a Lerner. O pior é que o governador parece estar gostando da situação e continua nada fazendo e muito menos respondendo as interpelações da Câmara Alta. Tanto que o ofício de resposta ao senador Osmar Dias, que mostrava a desídia do governo paranaense de não atender solicitações de mais de 40 dias do Banco Central, é um primor de non sense, já que não clareia e nem justifica a incompetência e a falta de zêlo internos.
Pelo jeito é assim que o governo agirá: nada fará, apostando sempre no ônus do ataque da oposição, e esta, para curar-se das suas deficiências, só teria, conforme esse raciocínio cartesiano, a opção de calar-se. E quem sabe deste silêncio surgisse a luz que dizem derivar do contrário, do bate-boca.
BIZARRICE O que custa mais ao governo paranaense: a Polícia Militar ou os cargos em comissão do governo estadual? A pergunta é do Rubinho Ferreira, hoje hoteleiro em Guaratuba e versado nas duas coisas em cargos em comissão e em Polícia Militar. É um bom teorema.
ESPIRITISMO Badep está liquidado, mas pelo jeito é como aqueles espíritos aferrados à matéria e que exigem a doutrinação de mediuns para sair de campo. Semana passada o síndico e dois ex-diretores, que devem ser deslocados para a carteira de fomento, participaram de reunião da Associação Brasileira de Instituições Financeiras em Brasília, a qual o liquidado filiou-se.
Diárias de três representantes (quando o BNDES mandou apenas um) e mais a anuidade de R$ 70 mil mostram que, apesar da crise, o governo sempre se revela hábil em prodigalidade. Haja vista para R$ 160 milhões gastos em propaganda.
SPRAY Vice-presidente do Banestado, Ernesto Caposi, referido na questão da CPI dos Precatórios, é apontado como uma designação política do ex-presidente Fayet e do ex-ministro Rischbieter, hoje conselheiro de Lerner.- Pelo jeito a conexão paranaense no itinerário dos títulos públicos passa justamente pelo Banco do Brasil.- Banestado dançou na aquisição de títulos estaduais no mercado secundário e isso vai aparecer melhor focado pelo empenho de Requião. O prato principal, porém, será a Leasing, alvo de pesada bandalheira e cujo clareamento se encontra em fase final.- No IIIº Congresso Estadual dos Magistrados Paranaenses, a ter lugar neste mês, há dois temas essenciais: o mais tranquilo será o das prerrogativas constitucionais dos magistrados e o mais polêmico o da eleição direta para os quadros dirigentes do TJ. - Há, de fato, mais duas montadoras interessadas no Paraná e esta seria uma das razões para prolongar a entrega dos protocolos enquanto não se faz isso de forma generalizada, isso é com todos os que receberam investimentos.- Ainda há risco de o pagamento de julho dos servidores estaduais atrasar. Tudo depende do fluxo das transferências federais porque o caixa está engessado.- Salvação do PFL é o Lerner. Se não ingressar no partido, este murcha ainda mais do que no último pleito municipal.-
FOLCLORE Affonso Camargo está pensando seriamente em ser candidato pelo PFL a governador e faria tal lançamento em Ponta Grossa, cidade super beneficiada por sua atuação no Ministério dos Transportes. Ponta Grossa já foi um ponto de glória em sua carreira, mas também o Waterloo. Como os milicos da linha dura dominavam a cidade, Affonsinho foi praticamente cassado por um discurso que não fez e não pôde assumir o governo como vice pelo veto militar. O discurso para uma convenção da Juventude Democrata Cristã foi feito por Paulo Ricardo dos Santos. Na revisão, Affonsinho cortou trechos radicais, mas o Paulo já tinha enviado a versão original aos jornais, que os milicos arquivaram.





