Por não termos partidos verdadeiros sobram candidatos de mentira, como se dá na eleição majoritária de Curitiba. Prova disso é o que ocorre nesse incrível PPB de Maluf. Duas convenções, ambas se acreditando legais, indicaram saídas diferenciadas, uma se ligando na base aliada que apóia o prefeito e outra em Tony Garcia, que até hoje só disputou para valer a eleição de senador.
Como se não bastasse esse caso temos ainda a circunstância de irmãos do senador Requião, Maurício e Eduardo, disputarem a postulação, sugerindo uma seriedade não admitida pela maioria do povo que acha a verdadeira liderança de oposição justamente a de Roberto que ainda ontem, em embate radiofônico, deixou o pessoal do governo atônito.
Aliás, não é interessante para o Paraná, tido como sociedade aberta, ter irmãos se defrontando em facções diversas, prova de falta de quadros. Isso acentua outro: a circunstância de termos, na bancada senatorial, dois irmãos, impensável mesmo no período mais colonial do Brasil no furor do patriarcalismo. Como pegava mal o caso de Londrina com a família – o prefeito, a vice-governadora e o filho deputado – se dividindo em nada menos de três agremiações.
Como não temos partidos, muito menos quadros, prevalece o personalismo, velha tradição brasileira. É claro que no caso citado dos irmãos Dias há pelo menos a diferença de estilos como a da maior naturalidade de Osmar em relação ao histrionismo teatral de Alvaro. E que diferenças de tonalidades afetivas, de formas diversas de ver o mundo, há entre Eduardo e Maurício? A estrela é Roberto, como entre os Dias prevalece a de Alvaro, ainda que Osmar caminhe, a passos firmes, para a construção de caminho próprio.
Já em termos de quadros, especialmente de gestão (esclareça-se porque em digestão e apetite todos se igualam), o do situacionismo é melhor. Enquanto a oposição ficava entre Maurício Fruet e Carlos Simões, o sistema revelava Cassio Taniguchi, competentíssimo e bem melhor do que o suposto criador. E teve ainda a passagem dionisíaca de Rafael Greca com seus anjos esvoaçantes, cavalos vomitantes, faróis que pouco iluminam e cemitérios com leve jeitinho de café-concerto.
Se o Requião original não disputar, dificilmente haverá segundo turno e o maior privilegiado será Ângelo Vanhoni que superará a votação anterior e se habilitará a reeleger-se facilmente como deputado estadual.

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