Pelo menos duas das mais fortes lideranças do Paraná, ainda que com escassa base doutrinária, estão a ressuscitar o nacionalismo e com ele o estatismo em contraposição ao fundamentalismo cosmopolita da moda: justamente os senadores Roberto Requião e Alvaro Dias, aquele defendendo o general Oviedo como expressão da resistência da América Latina e este insistindo no bloqueio à venda das ações da Petrobras e os riscos de sua privatização bem como da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Afora a direita militar brasileira e os remanescentes do isebianismo (cultores do Instituto Superior de Estudos Brasileiros - Iseb, fábrica de ideologia dos anos 50) não há quem se ligue nessa postura, embora o caráter hegemônico do neoliberalismo acabe produzindo esses anticorpos como uma espécie de efeito indesejado, porém inevitável. Volta e meia o senador Requião sinaliza para essa forma de romantismo, o que não espanta porque em certos momentos da luta no Oriente o PC do B se agarrou em figuras como as dos aiatolás de teocracias atrasadíssimas, tentando, desesperadamente, reavivar as brasas adormecidas da Guerra Fria.
O alinhamento de Alvaro Dias, em termos estratégicos, é um pouco melhor, mais convincente do que o de Requião que se escuda em razões geopolíticas, apenas aceitáveis em rodas de fanáticos ou de aparelhos fechados à realidade externa. Jogando com as estatais, o senador do PSDB se mantém em linha crítica aos exageros do alinhamento ao FMI e ao menos defende corporações estatais fortes e pela primeira vez submetidas ao enfoque crítico.
Esse condimento vai aparecer na campanha eleitoral, embora ela devesse dar respostas a problemas locais. É que na iminência de privatização do Banestado, o que parece inevitável, coloca-se no mesmo barco a Sanepar, Copel e também, é claro, a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Ora, esse fervedouro autárquico, privilegiado em relação aos mortais comuns, tem algum poder de voto que não deve ser subestimado. Tanto que há nesse momento um clima de quermesse na Avenida Luis Xavier com barraquinhas catando abaixo-assinados contra as privatizações. A maioria do público não está nem aí com a temática. Para os pescadores de águas turvas há um cardume de razões.

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