Da novela ‘‘O Bem Amado’’ é possível imaginar o fim do Coronel Paraguassu? Em Sucupira ele sempre deu a volta por cima. E o povo, identificado com sua sábia malícia, o absolvia e o consagrava. A sua ressurreição era semanal, mensal, anual, enfim algo tão permanente como o ‘‘Fantasma Voador’’ da história em quadrinhos, cuja eternidade decorria de um revezamento.
Antonio Cassemiro Belinati é Paraguassu. Mas Londrina não é Sucupira. Ela é maior em densidade cívica do que esta Curitiba galinha, seduzida pelo poder, comprometida o tempo todo, com os centros de decisão institucional. Um juiz, um promotor em Londrina tem mais condições para atuar, ainda mais quando a sociedade se mobiliza e dissolve toda a sacanagem que marca a transação dos políticos, do que na capital. Os enlaces cartoriais aqui são mais fortes, às vezes insuperáveis. Basta lembrar o que se dava nas relações entre a Polícia e o crime organizado, desmanches de automóveis, especialmente e narcotráfico.
O que leva o povo brasileiro a identificar-se com Odorico Paraguassu, versão urbana do herói sem caráter de Mário de Andrade, o Macunaíma? A malemolência e a abertura para a malandragem, que tanto nos caracterizam, estão aí a expor as razões pelas quais boa parte de nossa gente tanto se identifica com as piores formas de populismo.
Quem subestimar Belinati, mesmo depois de cassado por uma Câmara Municipal que, em circunstâncias normais, jamais o faria, se engana. Há, é claro, essa oposição, congenitamente derrotada, que aposta que ele entregue os dados de toda a transação Sercomtel-Copel e que isso comprometa o governo. Maior prova de que há comprometimento é aquela manobra esquiva de desmontar a CPI, já instruída e organizada, no legislativo estadual.
Que o ‘‘sistema’’ o entregou não se pode discutir, como abandonou Greca nos primeiros sinais de desconforto. A verdade é que, a essa altura, já suam na mão, a distonia é visível.
BIZARRICE
Requião explorou o fato de o Diap, ONG do movimento sindical, ter lhe dado notas altas. No Paraná, esses juízos têm sido devastadores para os supostos beneficiários. Nelton Friedrich e Valdyr Pugliesi ganharam as notas mais altas e não se reelegeram. Beijo da morte para a maioria

AXIOMA
Vem aí uma fantasia a mais: pesquisa, anunciada pelo PFL, no momento em que o seu segundo maior eleitor no Paraná é cassado, vai mostrar Lerner lá em cima. E o presidente do PFL, João Elísio, não muito inspirado em previsões, faz uma frase de efeito: ‘‘Os números não mentem jamais.’’ Parece até a ‘‘folha seca’’ do Didi. Mas os homens continuam, como sempre, mentindo quando citam números. Haja vista para FHC e para esse governo Lerner que não abre o ‘‘livro negro’’ dos Jogos da Natureza, da farra na Leasing e da transa Copel-Sercomtel, da qual foge como o diabo da cruz.
GLOSA
Homem público tem vida privada? A pergunta vem em função dessa história do vídeo do casamento da filha do governador. Se ele não fosse governador haveria a festa e tanta gente compareceria?
De FHC descobriram um filho fora do casamento, o mesmo se deu com Alvaro Dias e com Fernando Collor e mais João Goulart e até sacanearam o Lula. A imagem de uma festa perto de tudo isso aí é refresco.
EPIGRAMA
Autoridades municipais, obviamente, dizem que nada há de anormal com as funerárias de Curitiba. Em todos os casos os governos, quando provocados sobre qualquer assunto, sugerem que está tudo numa boa. Remover fundo de lagoa sempre turva a água da superfície.
SPRAY
A idéia de colocar Beto Richa como vice de Cassio Taniguchi teve efeitos muito fortes no interior e pode ter influência decisiva na sucessão de Lerner. - Aliados do ex-governador José Richa, espalhados pelo interior, tenderiam a aglutinar-se na dupla PFL-PTB com vistas não apenas ao pleito imediato, mas também ao de 2002. - A repercussão da notícia sobre a composição animou muita gente que estava tendendo a embarcar no PSDB e que decidiu repensar tudo. - O candidato natural, se levar a melhor na reeleição, é Taniguchi para a sucessão estadual. O PFL não tem outro, o mesmo ocorrendo com as forças aliadas, para enfrentar Alvaro Dias e Requião ou os dois juntos, o que não é impossível. - O governo está sofrendo prejuízos com a Renault seguidos, como o senador Roberto Requião disse no programa do PMDB. O ‘‘Relatório Reservado’’ mostra que a participação do Estado na Renault, que era de 33%, cai em julho para 25% e até o fim do ano chega a 15%. Ocorre que o governo, quebrado, não tem condicões de atender chamadas de capital. Tivéssemos democracia já dava uma CPI apenas para esclarecer, coisa que apavora o Palácio Iguaçu. Todavia vão continuar enganando e suprimindo informações básicas, como é do estilo da turma. - Portal da Foz, outra brincadeira criativa de Lerner sem qualquer funcionalidade, lembra bobagens outras feitas em Curitiba como um tabuleiro fajuto de xadrez que ficava atrás do Museu Paranaense, a praia artificial do Parque Iguaçu e outras sugestivas bolações. - Andaram lançando pedras nas janelas do restaurante de Eduardo Requião, candidato a prefeito do PDT. Há quem veja nisso represália por causa da gravação do casamento, com a qual Eduardo nada tem a ver. - Pessoal da Inepar entusiasmado com o jornal virtual ‘‘Hora H’’ de Cícero Catani. Se o alternativo do ‘‘Bagual’’ dá média de mil visitas, o meio não pode, de forma alguma, ser subestimado. - Reunião amanhã em Jacarezinho da família Villela Magalhães em seu encontro anual e no domingo o João Villela Mazza, filho de Lena-Carlos Fernando, faz aniversário, integrando a festa.
EPISTEMOLÓGICA
A experiência de Belinati, em função não apenas da cassação como também das outras investigações em andamento, poderia colocá-lo agora na perspectiva da náusea. Já a oposição espera que ‘‘regorgite’’.
FOLCLORE
Se houvesse caso igual ao do Belinati por aqui, a Câmara Municipal cassaria o prefeito? Pensem nos seus integrantes, nas suas vinculações e dêem a resposta. Trata-se apenas de um exercício de simulação.
CROMO
Água líquida em Marte: a vida é possível no planeta vermelho.
AFORÍSTICO
‘‘Laços de família’’ da Globo: que tipo de família é aquela, que está mais perto do possível do que do desejável? O sórdido e o fescenino, de repente, transfiguram-se em virtude.

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