LUIZ GERALDO MAZZA
Ontem foi um dia rico em trapalhadas: atribuía-se ao homem forte do governo, Giovani Gionédis, o detentor da chave do cofre, frases desabonadoras aos deputados Hermas Brandão, pretenso sucessor de Aníbal Khury em todas as direções e sentidos, e Valdir Rossoni, ambos supostos postulantes à vaga do maestro da Guaratubanda, hoje presidente do Legislativo, Nelson Justus.
A história parecia sair de um roteiro de filme de espionagem: Hermas Brandão teria ligado para Cid Campêlo, chefe da Casa Civil, e este, num descuido, teria deixado o celular ligado e apareceram vozes, dadas como sendo de Gionédis descendo a ronca nos dois e tratando-os com extremo desrespeito. Mas não era nada disso: quem botava a boca no trambone era o pessoal da diretoria do Jornal do Estado que naquele momento recebia em suas instalações a visita do secretário. De fato o episódio do telefone ligado e das vozes, que não vinham de imaginários homens fortes do governo estadual.
A primeira versão, muito mais apimentada e interessante para a crônica política, era mais rica do que a singela verdade narrada aos jornais pelo próprio Campêlo para evitar mais confusões para este governo, já saturado de tantas trapalhadas que fariam o ecossistema do inspetor Clouseau. Se o governo estadual tivesse a rapidez para dar respostas como a revelada ontem pelo secretário-chefe da Casa Civil não estaria enrolado em tantos casos.
O que não pode, como no caso dos Jogos da Natureza, é a explicação tardia, como se não coubesse ao Estado a responsabilidade de dar respostas a tudo. Também nos devastadores episódios da Banestado Leasing o governo, além de não dar explicação alguma em torno dos rombos da corrupção, ainda promoveu, como se ratificasse aquelas infrações, o autor das patologias a secretário de Estado como se o distinguisse com uma láurea.
BIZARRICE
Nakamura desafia Nestor Baptista e quebra cara: o conselheiro foi até Foz do Iguaçu e disse que as obras em andamento são maquiagem e desmontou o aparato defensivo do governo. Renato Aragão, ao saber dos feitos do governo Lerner, vai de novo ao psicanalista. Trapalhões daqui o superam facilmente
AXIOMA
Agora sim vai dar Cadeia! Slogan do Luiz Carlos Alborghetti para disputar a Prefeitura de Londrina. Pelo jeito é a única forma de dar cadeia.
GLOSA
Se os segredos nucleares do Pentágono podem acabar na Blockbuster, a troco de que ficariam protegidas as fitas do casamento da filha de Lerner?
EPIGRAMA
Beto Richa, lançado anteontem como vice de Cassio, começava a ter a sua candidatura contestada, ontem. Se sair um do PFL, a base aliada se esgarça e a ambição dos sem-voto derrota o melhor candidato. Trapalhada, afinal, é a especialidade desse pessoal. Na hora do fogo, o escorpião lança veneno sobre o seu próprio corpo. Não porque o deseje, mas porque essa é a sua natureza.
Do PFL só se espera a conjugação do verbo coonestar, nunca o de contestar. E quem coonesta não contesta.
PARADOXO
No dia de Corpus Christi, em Londrina pelo menos, pelo jeito, se vai falar e muito em habeas-corpus.
SPRAY
Perto de campanha eleitoral, o Tribunal de Contas fica aceso: agora é com as contas de Cassio Taniguchi de 1997, isso sem falar na auditoria do Banestado. - Algumas coisas se justificam como apurar desvios como os dos Jogos Mundiais da Natureza e do Canal Extravasor. Aprofundado o caso do Parque da Barragem, penetrar-se-á, pela vez primeira, o que já é um absurdo, na questão dos Jogos e que vão comprometer muita gente do governo na explicação dos R$ 80 milhões despendidos na prodigalidade. - Tanto Lerner quanto Requião, na condição de prefeito de Curitiba, sofreram com suas contas não aprovadas no TC e passaram até constrangimentos durante suas campanhas por esse motivo. - Nada que diga respeito a questões polêmicas (Jogos da Natureza, Canal Extravasor) pode ser relatado ou votado por Henrique Naigeboren por sua condição de cunhado do governador. Só falta ele usar aquele argumento do Leonel Brizola em relação a João Goulart: cunhado não é parente. - Amanhã Tauillo Tezelli, do PPS, prefeito de Campo Mourão, inaugura o novo Terminal Rodoviário juntamente com o secretário Lubomir Ficionski, do Desenvolvimento Urbano. Tauillo é o único paranaense a receber dia 27 em Brasília o troféu Melhores Administradores Públicos Brasileiros, promoção da IstoÉ, Brasmarket e SBT. Ele obteve índice de 91,8% de ótimo e bom. - O que tem de chantagista na praça alegando possuir cópia da fita do casamento da filha de Lerner não está em gibi nenhum: há duas versões, uma curta, editada de dez minutos, outra de quase uma hora e meia. - A sordidez não pára aí: setores do PMDB estariam empenhados em soltar a fita em larga escala como fizeram com a farsa eleitoral do Ferreirinha e também com as romarias no sindicato dos transportes urbanos de Curitiba que saíram até na TV Educativa por obra e graça de Requião. - Essa arte de explorar casamento dos políticos não é nova por aqui. Quando houve o casamento da segunda filha de Lupion, a revista Guaíra fez reportagem que devassou a intimidade da festa ocorrida no Castelo do Batel. Lembro que um dos magnatas da praça foi flagrado, já bebum, embora de meio fraque, descansando os pés, de forma pouco aristocrática, numa das mesas.
FOLCLORE
Nos tempos do Serviço de Assistência Médica Domiciliar Urgente (Samdu), criação do PTB getulista, apareceram três acidentados, dois de traje a rigor (naquele dia havia baile de gala no Country Club) e um de roupa comum. Este era rico, ao contrário do que pensavam os atendentes, e os outros dois eram apenas garçons que se deslocavam para o seu serviço. Como se percebe, neste caso, nem sempre o hábito faz o monge.
CROMO
O orvalho congela a grama esta madrugada: o lugar-comum é a obra de ourivessaria na teia abandonada pela aranha, carregada de supostos brilhantes.
AFORÍSTICO
Este governo lembra trem-fantasma de parque de diversões: em cada curva um espanto.





