A operação dos bombeiros para apagar o fogo, no Tribunal de Contas, dos desvios e irregularidades do secretário do Meio Ambiente foi acionada. Desde a semana passada a romaria àquela Corte, que mais corteja do que fiscaliza, principalmente quando se trata do governo estadual, foi grande: o procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, originário do Ministério Público, mas sobretudo político – porque ex-deputado que não se elegeu prefeito – esteve lá para saber das diligências que informavam o parecer de Nestor Baptista; e também Giovani Gionédis, embora a versão é de que este fora tratar da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Como o impacto das denúncias é grande, no caso do Parque da Barragem, agravado com a desastrosa performance de Nakamura diante do conselheiro Nestor Baptista na TV Globo, o governo mobilizou-se para empurrar, como sempre faz, as coisas com a barriga. Acredita-se que o Tribunal, que ‘‘chocou’’ o caso por mais de dois anos, deve dar nova colher de chá ao Executivo: tira-se o item da pauta ou alguém pede vistas, qualquer ritual do gênero, para desafogar.
Como se sabe, bombeiro não só apaga fogo como remove lama em deslizamento. E como está deslizando este governo!
BIZARRICE
Hitoshi Nakamura, segundo o Bagual, é secretário do Mau Ambiente e Desvio de Recursos Hídricos

AXIOMA O pessoal acha que a violência pós-futebol está se reduzindo no caso da depredação de ônibus. Esquecem que a chuva, sábado passado, cortou o barato dos que se achavam prestes a entrar no quebra-quebra.
GLOSA Primeiro um jantar com Zé Carlos Martinez, agora almoço com José Janene e Tony Garcia: o senador Roberto Requião está cada vez mais progressista! Falta apenas lembrar que acordos estranhos existem na história clássica como aquele de não agressão (Pacto Molotov-Ribbentrop) entre a Alemanha e a União Soviética na Segunda Guerra Mundial.
EPIGRAMA Nunca houve em toda a história um governo estadual como o de agora. Nem o de Haroldo León Perez, cassado por suposta tentativa de corrupção. Vejam bem: tentativa não implica em execução necessariamente.
SPRAY O PMDB só tinha uma chance de sobreviver no Paraná: o senador Roberto Requião disputando a Prefeitura de Curitiba, mesmo que fosse derrotado. - Ocorre que haveria mobilização superior à da última campanha governamental e com todas as chances de ‘‘emplacar’’ um segundo turno com boas condições de unir em bloco mais do que as chamadas forças de esquerda, aqui muito fracas. - Essa decisão de disputar em Curitiba fortaleceria candidatos de outras cidades como Luiz Eduardo Cheida em Londrina. - Com Requião disputando haveria acúmulo de energia para a sucessão governamental. Se ganhasse, o que nada teria de impossível, Requião se habilitaria até a ser candidato presidencial do PMDB que não dispõe de nomes que não sejam ‘‘carimbados’’. Convenhamos ainda que sairia em bem melhores condições do que se deu no passado com Ulysses e com Orestes Quércia. - Há quem acredite ainda numa reversão com Requião assumindo a condição de candidato. E dizem até que os contactos atuais com o PTB (José Carlos Martinez) e PPB (José Janene e Tony Garcia) fariam parte de um esquema de sondagens que incluiriam o exame da hipótese. - Pelo que o programa do PMDB apresentou ontem, dando extrema importância às imagens do casamento da filha de Jaime Lerner em Nova York, percebe-se que a intenção de ridicularizar ou de faturar politicamente foi suplantada pelo espírito de ‘‘gag’’. Piada boa, mas ineficaz. - De outro lado, o jantar no Madalosso (deu-se depois das reuniões, o dia inteiro, de orientação político-eleitoral do PFL) de homenagem ao Guga, o Gustavo Fruet, mostrou que a capacidade aglutinadora do seu grupo é superior à de Maurício Requião, embora este detenha maior margem de manipulação dentro dos zonais partidários. - Todos lembravam que Roberto Requião pode ser derrotado como se deu quando queria impor Stênio Jacob como vice na chapa de Maurício Fruet e perdeu a disputa para o delegado de polícia José Maria Correa. - Já no PFL, a executiva regional manteve Farage Khoury no comando do partido em Londrina. Três vereadores do PFL em Londrina chiaram e acusaram o encontro de ter sido antidemocrático e na base da sessão secreta, o que é verdadeiro. - Curitiba, essa que é a verdade, começa a decidir os destinos de Londrina, o que mexe com os brios dos pés-vermelhos e vai dar para percebê-lo no dia 30 de junho, na convenção que indicará o postulante à sucessão de Antonio Belinati. - Segredo e deserção, também, no caso do prefeito afastado Belinati que o governo e o partido entregaram às feras, como se nada tivessem a ver com os episódios lá ocorridos ou deles não participassem pelo menos como notórios beneficiários. - Mau caratismo é a prática diária da política.
FOLCLORE O professor Velocino Fernandes, que anda de lenço vermelho no pescoço e vive a tomar chimarrão até mesmo na rua, lançou, semana passada, um ‘‘kit’’ de seis vídeos, na Churrascaria Gaúcha, sobre a temática do ‘‘Caminho das Tropas’’, narrado pela coleguinha Luciane Viegas. O que chamou a atenção do anarquista Elísio Marques foi a quebra do tradicionalismo com os gaúchos adicionando ao figurino tradicional telefones celulares acoplados à guaiaca de couro cru com fivela prateada.
CROMO Desde a chacina da Candelária, 43 do grupo de 72 crianças e adolescentes que moravam naquela praça foram assassinados. O trauma se deu há sete anos e nada se fez para evitar o que estava previsto. Os PMs podem até alegar que agiam preventivamente. O discurso sobre a criança e adolescente, embora o Estatuto e tudo o mais, é impotência apenas, retórica, ornamentalismo.
AFORÍSTICO Se o governo corta os dias parados não há greve que ande, nem a de servidores, nem a de professores. Requião, quando governador, desmontou uma simplesmente com um ‘‘gancho’’ de três dias para os grevistas. Quem tem CUT, como diz aquele filósofo, também tem medo. Por isso é indispensável pensar em outras saídas para esse tipo de luta que não se mostrem tão frágeis. Sugestão: que tal trabalhar de graça contra os candidatos do governo?

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