O senador Roberto Requião, sozinho, faz o governo Lerner-Emília sofrer como se estivesse à beira da cassação. Usando a contra-informação em cima de um empresário com ligações de parentesco e amizade no esquema oficial, sabendo que se presta ao jogo do leva e traz, deixou tanto o Palácio Iguaçu como o 29 de Março, o Paço Municipal, à beira da apoplexia ao anunciar que apenas está blefando e que sai candidato à prefeitura da capital na hora adequada.
Um ‘‘big-shot’’ do complexo político-empresarial recebeu o ‘‘informe’’ e passou-o adiante: distonia neurovegetativa nos gabinetes, crises nervosas, alguns mais açodados querendo passar a má notícia a Lerner no exterior, todavia contidos a tempo. O espírito de Pedro Malasarte volta e meia se liga no ex-governador e ex-prefeito que, com essas gozações, dissimula o seu pânico de encarar o japonês daqui que lhe parece mais intimidador do que o do Peru, o Fujimori, e do qual foge até no primeiro turno quanto mais no segundo.
Como essa fragilidade se transfere por vasos comunicantes, Dona Emília também acabou, ontem, dando uma contribuição ao dizer que o senador que, com outros parlamentares, pretende intervenção no Paraná deveria preocupar-se em obter recursos para o Paraná, dinheiro, bufunfa, matéria-prima (ou seria insumo?) que tantou sobrou no lodaçal de Londrina. O calar, às vezes, é melhor do que o bem falar. Esse é um caso exemplar, paradigmático.
Dá para imaginar se tivéssemos no Paraná uma oposição com o porte daquela que formou ao lado de José Richa em 1982: não sobraria um só herdeiro das forças que aí estão, tal a sua incompetência para o combate. Uma gozação do Requião é como uma tortura ou terror, insuportáveis para os palermas, tão abertos para formas de humor, menos para essas, que lhes rouba a tranquilidade.
BIZARRICE
Se a Arena da Baixada não tem capacidade para um Atletiba dá para imaginar o que aconteceria em Copa do Mundo, para a qual a consideram, desde já, habilitada, conforme os exageros triunfalistas da praça
AXIOMA Assessor bom é aquele que, à maneira dos Irmãos Corsos, sofre a distância as dores e alegrias do chefe: se outro leva um tiro, ele sangra: se faz amor, ele goza. Nada justifica, porém, que o deputado Micheletto, o da motosserra, tenha usado do artifício de dizer que o autor da proposta de devassa da Amazônia, fosse Eloi Setti, da Ocepar, que levou a torta no rosto.
Sobre o hábito da moda de pastelão é preciso tomar cuidado: o glacê de uma torta pode fazer muito mal a uma vítima com diabetes.
GLOSA Essa mania de o governo estadual contestar as estatísticas do IBGE, quase sempre na contramão das locais, pode ser válida em alguns casos, mas não em todos. Não custa lembrar que em 1980, no Censo, a Copel, hipertrofiada como sempre, fez uma previsão de 10 milhões de habitantes, indicador que não temos até hoje vinte anos depois, quando as tabulações apuraram 7 milhões e 600 e tantos mil. Devagar com o andor que às vezes o santo é de lama.
Naquele episódio o Ipardes, que não tinha o prestígio político da Copel, fez uma indicação mais aproximada, o que prova que não era tão acoplado ao poder e buscava agir mais no sentido técnico, sua obrigação imperiosa, ainda que vivêssemos sob um regime autoritário.
EPIGRAMA Um araponga militar, com crachá de um jornal, estava infiltrado no acampamento dos professores no Centro Cívico. Obviamente foi descoberto, porque neste governo é bem possível que espião apareça em operação com crachá revelador de agente secreto. Criatividade é isso aí; o resto, inveja.
SPRAY Um dos focos mais resistentes ao ajuste fiscal pelos abusos de mordomia e excesso de funcionários e de gastos é justamente quem deveria ser o exemplo: o Tribunal de Contas. - Embora órgão auxiliar do Legislativo, com menor campo de atuação, gasta 1,8% do orçamento, enquanto aquele despende 2,85%. Ocorre que os dois juntos precisam se fixar em 3% (hoje é 4,65%) por imposição das normas da Lei de Responsabilidade Fiscal e o TC é resistente, enquanto lá na Assembléia Legislativa sobra o constrangimento de demitir mil funcionários. - Objetivo do enxugamento é chegar a 2% no órgão principal e 1% no acessório. - As mocinhas estagiárias da Assessoria Comunitária não foram demitidas, mas apenas aconselhadas à troca de roupa menos ousada. O assunto ficou quase sob sigilo, já que tudo se deu de forma discreta e o delegado simplesmente deu uma de ‘‘paizão’’ e não de censor ao fazer o pedido de forma delicada. Que bom se os problemas da Segurança, acusada de estar ligada ao crime organizado, aos desmanches de veículos, como o senador Alvaro Dias diariamente denuncia nos programas eleitorais, limitassem-se a situações pitorescas como a de trajes tido como ousados numa área em que se precisa é tirar a roupa e a máscara. - Rascunho é o título de publicação cultural encartada no ‘‘Jornal do Estado’’ e distribuída em algumas livrarias e na Biblioteca Pública. Altíssimo padrão. - Falando em cultura, amanhã, 17h30, no Círculo de Estudos Bandeirantes, Rubens Nogueira fala sobre James Joyce e o mestrando Ivan Santana aborda o livro ‘‘Ulisses’’. Ao piano execução de músicas irlandesas por Sérgio Justen. - Na revista da Academia de Cultura de Foz do Iguaçu, um artigo de Lyrio Bertoli sobre o centenário do comunista Gregório Bezerra, homem de ferro e de flor. José Alexandre Saraiva, auditor tributário e músico, é autor de ‘‘Ferro e Flor’’, trilha do documentário do cineasta Luiz Carlos Prestes Filho.
FOLCLORE Marechal Cândido Rondon, festiva, aguarda, ansiosa, a chegada do primeiro avião que traria o governador Ney Braga. Desce um aparelho pequeno e imediatamente o foguetório entra em cena. Não era o governador, mas Gernote Kirinus e Ariovaldo Bier num aparelho fretado por Otacílio Ribeiro. Quando Ney chegou não havia mais foguete. Aí alguém observou: ainda bem que o primeiro avião não era do Kit Abdalla, que é sudoestino e gosta de cena.
CROMO Estiagem: o Rio Iguaçu é um esqueleto, seco, as margens desoladas, a água verde musgo prenuncia a morte breve dos peixes.
AFORÍSTICO Vendo as fragilidades do governo é que mal se concebe o tamanho da incompetência de nossa oposição.

mockup