Mais do que a pesquisa Datafolha, que lhe deu 63% de aprovação e 27% de regular, o que lhe valeu o terceiro posto no ‘ranking’ de governadores, Lerner apareceu excepcionalmente bem na sondagem sobre presidenciáveis e que obriga os comandantes da campanha de FHC a uma revisão em profundidade da maneira como encaram o cenário no Paraná.
Na estimulada, Lerner aparece com quatro pontos, quando jamais se propôs a essa possibilidade, em melhor condição do que Tarso Genro, sangue novo do PT. Quando a pergunta é feita no Paraná, Lerner aparece tecnicamente empatado com FHC (29% a 30%) e no foco da Capital o governador dá um ‘‘banho’’ no presidente de 43% a 24%.
Outro detalhe relevante, já abordado anteriormente, é a circunstância de pela primeira vez em nossa história um nome caturra aparecer bem nos demais estados como Rio, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul com três pontos, São Paulo e Distrito Federal com dois, Santa Catarina com oito. No geral, FHC, a despeito dos desgastes que poderia ter sofrido com a venda dos votos para a reeleição, ganha de 21% a 6% de Lula na espontânea e de 35% a 19% na estimulada. Não vai ser fácil evitar a sua vitória a não ser que ocorra um cataclisma que a oposição acreditou existir no caso da venda de votos e que já foi metabolizado.
Se a cúpula do governo debruçar-se nos mapas dessa pesquisa Datafolha de ontem vai puxar a orelha dos tucanos do Paraná talvez com maior veemência do que o Mike Tyson fez na do Hollyfield com os dentes. É que aqui o campanário se sobrepôs às razões logísticas nacionais e supralocais que colocam Lerner acima dos murmurantes e de poucos votos da cúpula do PSDB e que agem sob o estímulo de Álvaro Dias que sempre fez a política do personalismo e que só ficou no governo não para eleger Requião mas com temor da fúria com que o grupo de Ary Queiroz o assumiria para garantir não só a eleição de Richa como ainda fazer uma radiografia, provavelmente mal intencionada, daquela gestão.
Em capitais é justamente onde o presidente sofre mais: perde em Porto Alegre de 29% a 24% de Lula (no Estado empata em 25% a 25%), em Salvador de 30% a 24% e em Fortaleza, de 30% a 20%. Em Curitiba, leva um ‘‘banho’’ de Lerner (43% a 24% e no Estado, ganha de 30% a 29%). Em Florianópolis, há um detalhe curioso: FHC ganha de 28% a 21% de Lula, e Lerner faz a mesma pontuação de Sarney (nove pontos), três a mais do que Maluf, afinal líder do Espiridião Amin.
A capital que dá a maior goleada é Curitiba acompanhada pelo empate técnico no Estado. Isso com Lerner se propondo à reeleição, dando para imaginar a que ponto chegaria se estivesse admitindo a candidatura presidencial. Quem é mais importante para o projeto imediato do PSDB: Lerner ou o ressentimento daqueles que derrotou, em aliança com os tucanos?
BIZARRICE Sexta-feira passada houve jantar dos integrantes da antiga sucursal da ‘‘Última Hora’’ do Paraná na casa do jornalista Nelson Comel. Compareceu à festa o secretário de Planejamento, Miguel Salomão, que trabalhava no litoral como ‘‘foca’’, sob as ordens do Cícero Catani. Miguel portava uma pasta preta, enorme, o que bastou para que caíssem no seu pelo, afirmando que ali estava a ‘‘caixa preta’’ dos protocolos das montadoras.
SPRAY Lerner, em Cascavel, disse que o Paraná até o ano 2000 será o segundo Estado do Brasil. Pode ser como pólo automotivo, como economia de jeito algum.
Falamos do ano 2000 como se não estivesse tão próximo.- Paulo Pimentel, 1966, dizia que o Paraná seria o ‘‘segundo do Brasil’’. Continuamos até hoje como o terceiro do Sul do País, tanto em indicadores econômicos como sociais.- Até 2000, o Paraná não supera o Rio Grande do Sul, embora isso possa ocorrer na próxima década.- Desvantagens nossas, relativamente a Santa Catarina e Rio Grande do Sul, decorrem de aquelas estraturas produtivas serem bem mais harmônicas. Para dar um exemplo: Curitiba detém 24% do potencial de consumo paranaense (Londrina, em segundo, aparece com 5%).- Em SC, Joinville aparece à frente com 9%, seguido de Florianópolis com 8% e assim por diante. No RS, também a distância entre Porto Alegre e Caxias do Sul não é como essa entre Curitiba e Londrina. Dá para imaginar o quanto se desfigurará essa relação no Paraná com as inversões de 70% na Grande Curitiba.- Esse ponto, que já começa a ser explorado pela oposição, é de extrema vulnerabilidade e de fácil combustão política, especialmente no plano psicossocial.- O sentimento de unidade paranaense não pode ser traduzido no campo virtual. Não seria virtuoso.
FOLCLORE Estamos eu, o João Féder e o Sílvio Back na delegação paranaense ao congresso de jornalistas em Nova Friburgo. O ônibus lotado sobe a serra e no meio do azáfama a voz inconfundível. ‘‘Fazei o que já ensinava o divino mestre: sentai-vos uns aos outros.’ Era o genial Aparício Torelly, Barão de Itararé, aquele tempo às voltas com matemática sofisticada à qual dava um tom místico, dando um conselho para que se botasse ordem no caos e os que estivessem em pé pudessem viajar sentados também. Ficamos o tempo todo, eu e o Sílvio, de macaca de auditório, ao lado de outros companheiros, deslumbrados com o gênio, rememorado domingo nesta ‘Folha’ pelo Jota.

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