O mal dos nossos políticos é que eles são incapazes do sacrifício. Jamais um Requião, um Lerner, um Alvaro Dias, teriam a coragem manifestada por Munhoz da Rocha quando se lançou praticamente como anticandidato diante de Lupion. Uma campanha curtíssima, de poucos meses, pegar pela frente a máquina azeitada de um sistema que praticamente se mantivera o mesmo apesar da derrubada de Getúlio no Brasil e de Manoel Ribas no Paraná.
Pois mesmo com toda a adversidade, nos dois maiores colégios eleitorais de então, Curitiba e Ponta Grossa, o discurso idealista e generoso de Munhoz da Rocha foi vitorioso. Todos, praticamente todos os partidos, estavam com Moysés Lupion. Assim mesmo não houve deserção.
Não é o que se nota agora no cenário municipal: a desistência de Roberto Requião, o único que poderia colocar sob ameaça o poder hegemônico de Lerner em Curitiba e dessa forma salvar o partido do processo de corrosão que o atinge de ponta a ponta, vai facilitar tudo para o situacionismo. Há ainda quem cultive a esperança de o senador, no meio do percurso, entrar na disputa e essa hipótese é arguida em função de dois irmãos, Maurício e Eduardo, se colocarem como candidatos.
Nossos políticos, de um modo geral, querem garantias absolutas e acabam por isso mesmo se tornando decalques do Marcelinho Carioca no sentido de baixo espírito clânico e de solidariedade.

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