Luiz Geraldo Mazza
Com o aggiornamento da democracia ficamos a um passo do vale tudo, da anomia, como tenho dito. O episódio da rebelião na Penitenciária Central do Estado é uma dessas coisas que desnorteiam: os manifestantes incendiaram mais da metade da área construída e os negociadores oficiais foram até lá pisando em ovos para não parecerem certamente agressores dos direitos humanos. Houve um caso de morte, feridos, prejuízos de monta e fica tudo por isso mesmo em função dessa anistia emergencial?
O discurso humanista em torno dos presídios nada tem a ver com a prática. Essa mesma Penitenciária, que já foi modelo até por abrigar, nas proximidades, a Colônia Penal e o Manicômio Judiciário, é alvo pela terceira vez de ações turbulentas. Na havida no fim do governo Alvaro Dias, 1989, houve várias baixas porque a perda de controle era visível e houve determinação judicial (também não entendo o excesso de formalismos) para a invasão que resultou na morte de 11 presos e de um agente penitenciário depois de três dias de tensão e negociações. Antes dessa houve também tragédia no fim do governo Hosken de Novaes.
Ninguém deseja que se repita aqui a barbárie do Carandiru, em que foram mortos 111 presidiários. Por incrível que pareça e haja fascismo nisso! uma pesquisa de opinião foi favorável ao massacre e, na sequência, o coronel PM, que comandou a operação, foi candidato e se elegeu deputado estadual com o número cabalístico 111. Quem vai pagar os prejuízos havidos aqui em nossa Penitenciária: as tetas da loba romana estatal, a viúva de plantão, que é o governo?
O mal do Brasil é dar solução política para questões de Justiça. E foi por esse caminho que o MST passou a abusar, a saquear, a matar como é, por aí também, que se dá o transbordamento da autoridade policial como no paradigma do Carandiru. E o governo que pare de mentir ao engrupir a opinião pública mostrando o presídio industrial de Guarapuava como se fosse regra e não uma exceção, a árvore e não a floresta maldita, ora revelada na Penitenciária, ora no estabulamento sórdido das cadeias.





