A cada vez que alguém da oposição mostra as vísceras do governo tenta-se desqualificar as denúncias como a afirmação de que aquilo é patrulheirismo, como se fosse possível aproximar as formas de vigilância ideológica, aquilo sim uma forma desprezível de ‘‘cerco’’ preconceituoso, com o ato límpido de revelar as safadezas oficiais. Os professores estão certos, principalmente num momento de luta (com tudo para ser perdida, como das vezes anteriores), em insistir na crítica às nomeações irregulares para inspetorias de Educação, o que todos os governos fazem com a maior naturalidade. No de Requião, o Tabaco, seu motorista, foi nomeado juntamente com uma empregada da família.
De qualquer forma, ainda que prática habitual, deve ser denunciada, como fez o sindicato ao relacionar um grupo dos onze beneficiários. Agora ouvir o pio arrependido e tardio do tucano Hostílio Lustosa, ex-vice prefeito de Cascavel, beneficiário de uma dessas sinecuras, para ajuntar-se às breguices de Alvaro Dias (o remorso do massacre de 1988 é uma constante), depois do abominado ‘‘acordo branco’’, é de um ridículo atroz. Recebeu a grana e só chiou bem depois, o que não é muito ético. E lembra aquele petista que jantou na casa de um rico e, diante da crise moral, coçou a garganta com uma pena de pavão, como se fosse um sibarita, para vomitar o banquete que indevidamente comera.
Continuar o patrulhamento é saudável, coisa que os funcionários da Copel, da Sanepar, do Banestado, deveriam fazer quando constatassem anomalias para o bem de todos nós e romper com a apatia e o conformismo.
AXIOMA
Síndrome Belinati se espalha por todo Paraná e atinge agora, no Oeste, Guarapuava. Vitor Hugo Burko é a bola da vez. É o ‘‘burkomestre’’ do Oeste
TATO Pois o secretário de Justiça, o Pretextato Taborda, nessas horas de acovardamento generalizado, deu mostras de determinação e coragem quando foi até o ‘‘olho do furacão’’ da Penitenciária para dialogar com os insurretos e acompanhar de perto as providências dissuasórias. Gesto indispensável para reafirmar o princípio da autoridade volta meia agredido pelos liberticidas da moda e que não são poucos e que se difundem como cogumelos.
BIZARRICE Na ‘‘Terra Nostra’’ o menino Juanito, dado como morto por difteria, reaparece no último capítulo vivinho da silva. Nossos políticos que já morreram e fazem falta a certos esquemas são esperados para a ressurreição.
GLOSA Engraçado: agora querem investigar gastos com propaganda, tanto do Belinati como do Daijó, de Foz do Iguaçu. E os outros?
EPIGRAMA Uma autoridade federal quis mostrar-se esportiva com o lançamento de ovos no ministro José Serra e fez gracinha, dizendo que esse novo hábito iria fomentar a avicultura. O repentista Jota Carlos de bate-pronto: ‘‘O Serra foi contratado// uma calva e exótica figura// para ser o modelo incrementado// da campanha nacional da avicultura//’’. Quem deve estar observando o novo ritual é o Carvalhinho das penosas, o Laércio Faustino Cardoso, o Frangovo.
SPRAY O secretário de Segurança, José Tavares, precisa recompor-se com seus colegas da Polícia Civil. É que numa reunião sobre unificação das Polícias repetia, pela terceira vez, conceitos genéricos e desairosos sobre profissionais da área. - Teve um bate-boca, quentíssimo, com o delegado Luis Carlos Teixeira, que acabou exonerado, mas contando com a solidariedade dos seus colegas de corporação. - A estatística da criminalidade em Curitiba, em termos proporcionais, a aproxima de uma baixada fluminense, como se viu ainda nos registros de ontem, inclusive de esquadrões de extermínio, sequela normal numa sociedade em que a Polícia e o crime andam de mãos dadas, como se viu na CPI das Drogas (a nacional, é claro). - E a rebelião na Penitenciária, a que se deve? Todos os dias há uma autoridade do Judiciário ou do Ministério Público, bem como estudiosos da área, lembrando que estamos diante de um barril de pólvora. Ontem o silvo da panela de pressão funcionou. - Superlotação e, como consequência, a promiscuidade geram esse caldo de cultura que facilita a ação do ‘‘Comando Vermelho’’ e do ‘‘Segundo Comando’’, a guerrilha dos presídios. - O governo tenta sugerir que a greve dos guardas de presídio teria influído na rebelião quando os fatores que a detonaram são muito parecidos com aqueles que levaram os funcionários à mobilização. Ao revés os acontecimentos de ontem fortaleceram, e com cores dramáticas, a causa dos guardas de presídio. - No passado, esse setor era tão ‘‘politizado’’ quanto a área policial. Havia pessoas que se elegiam com apoio no sistema, como se deu com o deputado Acir José, assassinado por um ex-funcionário seu. - Como havia também tolerâncias que permitiam as saídas de presos para assaltos e com retorno ao ‘‘chatô’’, tal qual ocorreu com uma pendência, até hoje na Justiça, do joalheiro Magnus Kaminski que teve sua loja assaltada por presidiários e que pleiteia indenização do Estado, já que lhe cabia a custódia dos sentenciados.
FOLCLORE Continuam as piadinhas sobre o Atlético Paranaense que pretende até usá-las para levantar o moral da rapaziada que tem toda condição, agora sim, de chegar à vitória (nem que seja uma excursão à capital do Espírito Santo).
Dizem que lá na Arena só há churros porque o sonho acabou.
Isso aí pode ajudar o Atlético ao sugerir excesso de confiança dos Coxas, que são os que fazem circular as piadas. Não esquecer que a língua é o chicote do traseiro. No meio do jogo Palmeiras x Santos, quando estava 2 a 0, um crítico de rádio observou: ‘‘O Santos nadou, nadou e morreu na praia’’. Minutos depois da frase, o Santos empatava e, no finzinho, virava o jogo. No dia de Atlético x Cruzeiro, o locutor, ao ver o Oséas dar uma na ‘‘orelha’’ da bola comentou: ‘‘É. O Oséas continua o mesmo’’. Ele fez os dois gols que desclassificaram o time paranaense.
CROMO A manhã se abre em pétalas na bruma cinza: o vapor sai da boca dos pedestres, a grama enfeitada de gelo, no cenário hibernado. Na memória, o frio de quatro décadas passadas, a geada que chegava até setembro.
AFORÍSTICO Em Londrina, na presidência da comissão que investiga a venda de ações da Sercomtel à Copel, o vereador Salvador Francisco, funcionário da estatal de energia. Que não faça jus ao prenome é o que se espera.

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