Luiz Geraldo Mazza
A terceira onda?
Nossa vocação para o triunfalismo é indomável. Já se fala, no caso da vinda das montadoras, que farão do Paraná o segundo pólo automotivo do país, que estaríamos numa espécie de terceira onda, conforme a ficção (ou seria um caso de fissão?) de Alvin Toffler.
É perfeitamente aplicável um paralelo entre o que se dá neste momento e o ocorrido, 35 anos atrás, com Ney Braga, quando o então governador empreendeu a revolucionária implantação da infra-estrutura econômica (estradas, energia, telecomunicação), fator decisivo hoje em termos logísticos, locacionais especialmente, para atrair esses investimentos. Ney fez isso com recursos públicos e Lerner agora o faz por indução estatal, via renúncia fiscal e estímulos que vão da doação do terreno a outras ofertas.
Graças ao que Ney Braga fez estamos, disparadamente, à frente do Rio Grande do Sul e Santa Catarina nessa questão infra-estrutural. Para descompensar perdemos, e aí também distanciadamente, dos nossos vizinhos meridionais em indicadores sociais. As redes de educação e de saúde são superiores às nossas e há o temor de que essa fatalidade ora se repita.
Para que se tenha uma idéia do impacto que esse deslocamento industrial provocará basta ver o cuidado que a Copel, através da subsidiária Compagás, está adotando em relação à reengenharia da rede supridora de gás em função das 9 (é possível que a Audi/Volks não estivesse listada) empresas-âncora e das 40 satélites.
Há o risco de novamente o empolgamento pelo econômico obscurecer o social, velha deformação de um país que adotou o capitalismo tardio e, portanto, selvagem e não chegou a criar, como se deu na Europa e nos Estados Unidos da América, o welfare state, sistema de bem-estar que neoliberais, babando, querem remover na porrada e à custa de uma pregação em cima de valores como a economia de mercado, globalização e outras variáveis, ora transformadas num confessionalismo, vendidos como verdade revelada.
As condições sociais do Paraná, piores do que as vigentes no Sul, tendem a se agravar porque essas indústrias, tal qual se deu em São Paulo, atrairão massas de migrantes, embora por seu estágio tais montadoras devam adotar, por imposição tecnológica, uma política poupadora de mão-de-obra, isso para não falar na robótica.
Há outros complicadores: um deles o do adensamento do eixo industrial Curitiba-Ponta Grossa, que gera desequilíbrio regional e que impõe a necessidade de uma intervenção consciente do Estado para buscar harmonia no desenvolvimento integrado (o governo está desequipado e isso é visível no sucateamento do Ipardes e na ausência mesmo de planejamento).
O governo deve, pois, voltar-se para o interior com o duplo objetivo de atender o econômico e o social. Tratar um sem outro dá desajuste como ensinava o padre Lebret. E a realidade nos mostra: se aqui o social fica subordinado ao econômico também não dá para isolar aquele em detrimento deste como se vê no paradigma de Cuba.
BIZARRICE - O velho Fogiatto, figura mágica da fotografia, vivo nos arquivos do Cid Destefani, era, volta e meia, colocado em situação de risco por causa da insistência em buscar os melhores ângulos para o seu trabalho.
Certa ocasião, quando o Paraná ainda lutava para mostrar que a Petrobrás deveria sediar aqui, e não em Tremembé (SP), a sua unidade experimental de aproveitamento do xisto, foi recuando, recuando, para bater a foto e caiu num abismo. E salvou-se, para o bem do Paraná, que continuou contando com a sua arte e técnica para hibernar os acontecimentos.
SPRAY - A anulação da prova preambular para ingresso no Ministério Público parece ter mais do que um caso de comprometimento parenteral da comissão. O fato teve andamento em função da denúncia ao Conselho Superior do procurador Murilo Bachman. - O episódio afeta, embora a medida depuradora, a imagem da instituição: uma irmã de examinador teve a nota mais alta e também o mesmo se teria dado com alunos dele do norte pioneiro. - Reunião do PDT para acertar o consenso da bancada de vereadores acabou não saindo. E os vereadores Jair Cézar e Jotapê, bem como Jairo Marcelino, estão irredutíveis na orientação de que o governo não pode imiscuir-se numa decisão legislativa. - O presidente do Tribunal de Contas, Artagão de Mattos Leão, estaria adotando a mesma postura de Aníbal Khury, se recusando a cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal. Já recebeu expressa do TJ, ratificando pleito do STF, relativamente à concessão da derrubada do redutor de funcionários daquela Corte. Desobediência vai ser cobrada seriamente. - Ontem o coronel Valdemar Kretschmer, do comando do Policiamento do Interior, era o nome mais cotado para o comando da Polícia Militar. Mas a trama é grande, inclusive no setor político (o que contamina sabidamente uma área que deveria ter um cordão sanitário contra esse tipo de influência), visando outras indicações. - Uma circular da Secretaria de Administração indica necessidade de desratização e desinsetização de edifícios do Centro Cívico. A linguagem não é figurada, porque aí seria mais difícil.
FOLCLORE - Na abertura de uma reunião em que eu funcionava como secretário na Federação Paranaense de Futebel, o presidente Ildefonso Marques, jurista, ao dirigir-se ao árbitro inglês Harry Rowley tratou-o como senhor mister e logo se corrigiu: Acabo de cometer um pleonasmo!





