Luiz Geraldo Mazza
Voltam os professores ao ritual das greves anteriores com a greve da fome. É um erro dos sindicalistas insistirem nessa: lembro do Adir de Lima, glória do ciclismo brasileiro quando o Paraná tinha expressão na modalidade, com a magreza de um faquir se expondo à crueldade desse padecimento, com a firmeza dos cristãos estóicos que se dirigiam à arena romana para serem deglutidos pelos leões famélicos.
Dos anos 60 para cá tivemos greves, algumas garantindo avanços como a que fixou o Estatuto do Magistério, mas a maioria registrando percentuais de reajuste não correspondentes ao sacrifício de repor as aulas, perder férias e ainda suportar a bronca dos pais quando a parede se prolongava.
A mensagem para um governo que vive da fantasia não pode centrar-se na fome, que como a miséria é uma coisa negra. Tudo o que disser respeito aos valores de Jaime Lerner devem ser necessariamente cromáticos com a chamada força dos fatores diferenciais, como ensinam os manuais de semiologia. Jamais se tratou de fome ou de morte nas mensagens lernerianas, razão pela qual não se comoverão com o jejum dos mártires.
Como Lerner sugere que vivemos prodigamente (como se dá na intimidade do seu governo e na propaganda para manipular o público externo) aos professores caberia o recurso de exibir o contrário, jamais a fome e sim um pantangruélico apetite, capaz de desbancar os líderes da área no Livro dos Recordes. Assim o sindicato da APP obteria comida farta, com a compensação de restaurantes e churrascarias feita em cartazes: os glutões, escolhidos em rigorosos critérios de seleção, participariam de uma competição para ver quem traçava mais comida, tudo com orientação de dietetas para que não se cometesse a barbárie de consumir fast-food, Big-Mac, atacados, com violência incomum, por reportagem da Globo de anteontem, como responsáveis pelo drama dos norte-americanos com suas artérias entupidas de colesterol, com o hambúrguer apontado como mal maior do que o cigarro para doença circulatória.
Se do banquete de Platão foi possível extrair doses de sabedoria, quem sabe deste retiremos material criativo e inovador para a reivindicação da classe. Como ensinava Guevara, é preciso endurecer sem perder a ternura. O humor também é uma medida da ternura, ainda mais quando nos dirigimos a insensíveis.





