No momento em que o ex-ministro Rafael Greca se mostra pouco ativo na Câmara Federal vem o seu colega de bancada Affonso Camargo (e que no passado foi o maior articulador da política paranaense, tendo servido de ‘‘ponte’’ nas negociações que levaram Tancredo Neves à presidência) e o lança, desde já, como candidato a governador paranaense em 2002. É uma forma de solidariedade num momento em que o ex-ministro do Esporte e Turismo continua submetido a um linchamento ritualístico. Até por esse aspecto, num momento em que todos e até o governo se distanciam de Greca, como de resto se dá com Belinati e inclusive com Dona Emília (o pronunciamento do líder Valdir Rossoni dizendo que ela não é governo parece obra de Macunaíma, genial criação de Mário de Andrade), o gesto de Affonsinho é relevante.
Vejam bem: tivemos o caso de Alceni Guerra que só foi absolvido pela mídia muito depois de ter afetados até os liames de família com o massacre sofrido por seus filhos. Mereceu compensações como a do artigo do jornalista Luis Nassif da ‘‘Folha de S.Paulo’’, mostrando, a um só tempo, a injustiça dos julgamentos apressados como a evidência do bom trabalho que realiza em Pato Branco na condição de prefeito. Mais recentemente, o Ibsen Pinheiro ganhou na Justiça um recurso em que nada se provou do que teria feito de irregular na Comissão de Orçamento da Câmara Baixa.
Deixemos de lado, portanto, o furor do julgamento de Rafael Greca. Hoje não há condições, como não havia no caso de Alceni Guerra para a sua defesa. Mas e se todos esses processos o reabilitarem? O vitimalismo vai beneficiá-lo e aí, com toda a sua compulsão mais para dionisíaco do que para apolíneo, acaba se credenciando como ninguém. Deita e rola em cima de Alvaro e Requião, mesmo que unidos, porque nutrido pelo sofrimento, o martírio, o que o transformaria numa espécie de São Sebastião, apesar do porte mais para Santo Agostinho, com o corpo todo flechado. Mais flechas do que ‘‘Faróis do Saber’’ em Curitiba no corpo em sangramento.
Já a hipótese de Belinati dar a volta por cima é mais complicada. O cronograma estreitíssimo, com pleito ainda este ano, não o favorece. Não há tempo para tão complicada depuração, isso sem considerar que o volume de provas e denúncias é cada vez maior, quase um aterro sanitário.

mockup