Nosso tempo é essencialmente anti-heróico, mas as próprias circunstâncias de uma realidade pesadíssima, na qual a fragilização do fator trabalho no contexto produtivo sobressai, da mesma forma que leva à perplexidade também restabelece condições para o afloramento do romantismo. Remar contra essa corrente desumanizante é necessário e só os panacas do Brasil não enxergam ao se mostrarem eufóricos diante da globalização que países periféricos são os que mais sofrem.
O jogo que se faz com a força de trabalho é de tal ordem que muda conceitos. Na França, por exemplo, o socialista Jospin admitiu, em parte, embora sem fazê-lo com a contundência do direitista Le Pen, algum fundamento na restrição à entrada dos grupos étnicos no mercado. Ora isso é uma gravíssima deformação, inaceitável sob o ponto de vista doutrinário, para um partido que se declara, portanto, internacionalista e, mais do que isso, universalista. O sentimento de segurança dos que trabalham acaba aceitando a xenofobia como legítima defesa.
Países da Europa, a maioria com governos de traço social-democrata, registram taxas de desemprego de 15 até 18%. Olham, espantados, a mobilidade de empresas como a originariamente estatal Renault que fecham fábricas na Bélgica e em outros países, demitindo milhares de trabalhadores e abrem, como em nosso caso, estruturas mais singelas e de sintonia fina (automoção e robotização) com um número bem menor de operários e com salários bem mais baixos. Seria o caso de pensar, agora sim, naquilo que em passado distante era o fundamento da mobilização que deu margem à Internacional.
Como a solidariedade internacional, especialmente a obreira, é uma fantasia e um ponto de discurso ideológico, nunca uma realidade, o consolo é argumentar e mostrar a obviedade de que caminhamos para a perversidade com método.
BIZARRICE No final do seminário sobre o Plano Diretor, o vereador Jorge Bernardi, que presidia a sessão, esclareceu que com Cássio Taniguchi as relações entre Câmara e Executivo melhoraram tanto que o vereador Jorge Samek foi mais vezes recebido do que qualquer um da situação. Samek riu amarelo.
O ALARME Já houve o apito da panela de pressão: o governo até sexta feira estava com dificuldades para acertar a folha do funcionalismo. Esforços eram envidados para que nada saísse da programação, pois no momento em que atrasar a folha de pagamento, o que pode ocorrer a qualquer momento, ninguém mais segurará a desconfiança. Ganham com isso Requião e Álvaro Dias que afirmam estar o governo ‘‘quebrado’’.
Na semana quando da prensa do TRT, obrigando o governo a pagar precatórios trabalhistas atrasados, tanto o Procurador Geral do Estrado quanto o secretário da Fazenda lembraram que se houvesse o sequestro de valores o pagamento do funcionalismo atrasaria.
Se isso acontecer Requião e Álvaro poderão à maneira do corvo de Alan Poe crocitar ‘‘nunca mais’’, ‘‘nunca mais’’.
SPRAY Governo, desesperado, pede a Aníbal Khury que retorne logo do exterior (ele vai à Espanha por motivo médico) para uma convocação extraordinária com o fim alterar aplicação do ICMS e desafogar o drama.- O senador Requião acha que encontrou a conexão Santa Catarina-Paraná no caso dos precatórios. Está, porém, mais cauteloso. Tanto que se referiu aos 156 telefonemas para Lerner e Gerson Guelmann e 193 para a Inepar pela PPD Consultoria Empresarial e membros do governo catarinense enleados no processo como ‘‘ligações perigosas’’ e não como provas de participação.- ACM já deu o ultimato: não vai haver moratória para a CPI e em julho ela tem que encerrar os seus trabalhos. Se em São Paulo o Pitta já teve bloqueio de bens, dá para perceber os seus efeitos.- Lerner na capa da ‘‘Paraná em Páginas’’ com o alerta: vida política marcada pela falta de lealdade e sempre renovado oportunismo. Candinho estava cauteloso com relação a Lerner, pois havia a promessa de taparem o ‘‘buraco’’ (pior do que o da novela ‘‘A Indomada’’) de Guaratuba, reivindicação do jornalista. Esperou mais do que o PFL aguardou a adesão e o PDT a saída de Lerner.- Câmara Municipal aprovou 23 emendas à LDO, 12 de autoria de Jorge Samek, quatro de Borges dos Reis, 5 do Tadeu Veneri. Não houve avanço, porém, no maior controle da flexibilidade orçamentária que favorece o Executivo. Emendas vinculatórias com despesas dirigidas não foram aceitas.- Uma das coisas surpreendentes nas apurações sobre os precatórios é a facilidade com que empresas fantasmas movimentavam agências do Banco do Brasil.- Pelo jeito as revelações do caso PC Farias não foram suficientes para resguardar bancos das operações fantasmas como de certa forma o que está acontecendo agora não terá remédio adequado com as emissões de títulos estaduais.-
FOLCLORE Quando se discutia o positivo e o negativo do novo ciclo da economia paranaense com a chegada das multinacionais, o empresário Jonel Chede, com seu estilo folgazão, contava, coloquialmente, que quando ele casou tratou de comprar um fogão Marumbi (da Mueller e Irmãos), um refrigerador Prosdocimo, o conjunto de Malas Ika e detinha conta do Banco Mercantil e Industrial, que daria origem ao Bamerindus. De tudo o que restou de lá para cá aponta o seu matrimônio e amizades como a dos que estavam na roda. Quem tem corpo de gigante pode também ser sutil como se viu com o Jonel, dirigente da Associação Comercial do Paraná.
CROMO A esperança vem como poesia no riso livre dos meus netos.

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