Depois de orar no templo sabatista e purgar-se de eventuais pecados, certamente veniais, Antonio Belinati, o prefeito de Londrina, retornou ao seu posto, embora por sete horas apenas – pois em outra ação, outro juiz determinou um novo afastamento. Inteligentemente, Belinati não fez encenações como aquela de voltar ao poder na cacunda dos humildes. Toda a arrogância numa hora dessas é temerária, ainda mais quando a Justiça manteve a ‘‘capitis diminutio’’ do burgomestre relativa à quebra de sigilo fiscal e telefônico. Ele estava certo.
Fosse dado ao talento vocal como o é com os discursos populistas, Belinati poderia vir a público imitando o Roberto Carlos, como o ator Chacon Júnior, de Curitiba: ‘‘Eu voltei// agora pra ficar// porque aqui// aqui é meu lugar// Eu voltei pras coisas que eu deixei//... Tudo estava como antes// Quase nada se modificou// Eu parei em frente ao portão//Meu cachorro me sorriu latindo//’’.
O cachorro sorriu e se o fez não passa de um grande gozador, ainda mais se acrescentar ao gestual um abanar de rabo.
Como Belinati, e isso previ que aconteceria, tal qual se deu em paradigma assemelhado, o de São Paulo, Pitta ainda está na prefeitura até porque o Tribunal de Justiça adiou a decisão se deve ou não afastá-lo. Não conterá, todavia, com essa mini-vitória, a avalanche de procedimentos do Ministério Público, e agora fortalecida por mais uma barbárie, decorrente da transa entre a Copel e a Sercomtel, conforme o juízo dos investigadores federais, com a lavanderia de dinheiro feita no Banestado com as contas-fantasma, algo mais ou menos assemelhado à craca havida com Collor de Mello e seu PC. Aqui não se trata de uma Operação Uruguai, mas de algo gigantesco para as dimensões do nosso segundo pólo urbano e político-eleitoral.
Se houvesse vergonha na cara, tanto do governo como dos parlamentares, essas novas revelações tornariam impositiva a necessidade de restabelecer, em todos os seus mínimos detalhes, a investigação do caso Copel-Sercomtel. Uma gestão com um mínimo de sensibilidade moral seria a maior interessada para que tudo fosse, o quanto antes, esclarecido. Infelizmente, para a democracia não é o caso daqueles que estão habituados ao culto da ‘‘caixa preta’’, que permeia grande parte das ações desse governo.

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