LUIZ GERALDO MAZZA
Depois de orar no templo sabatista e purgar-se de eventuais pecados, certamente veniais, Antonio Belinati, o prefeito de Londrina, retornou ao seu posto, embora por sete horas apenas pois em outra ação, outro juiz determinou um novo afastamento. Inteligentemente, Belinati não fez encenações como aquela de voltar ao poder na cacunda dos humildes. Toda a arrogância numa hora dessas é temerária, ainda mais quando a Justiça manteve a capitis diminutio do burgomestre relativa à quebra de sigilo fiscal e telefônico. Ele estava certo.
Fosse dado ao talento vocal como o é com os discursos populistas, Belinati poderia vir a público imitando o Roberto Carlos, como o ator Chacon Júnior, de Curitiba: Eu voltei// agora pra ficar// porque aqui// aqui é meu lugar// Eu voltei pras coisas que eu deixei//... Tudo estava como antes// Quase nada se modificou// Eu parei em frente ao portão//Meu cachorro me sorriu latindo//.
O cachorro sorriu e se o fez não passa de um grande gozador, ainda mais se acrescentar ao gestual um abanar de rabo.
Como Belinati, e isso previ que aconteceria, tal qual se deu em paradigma assemelhado, o de São Paulo, Pitta ainda está na prefeitura até porque o Tribunal de Justiça adiou a decisão se deve ou não afastá-lo. Não conterá, todavia, com essa mini-vitória, a avalanche de procedimentos do Ministério Público, e agora fortalecida por mais uma barbárie, decorrente da transa entre a Copel e a Sercomtel, conforme o juízo dos investigadores federais, com a lavanderia de dinheiro feita no Banestado com as contas-fantasma, algo mais ou menos assemelhado à craca havida com Collor de Mello e seu PC. Aqui não se trata de uma Operação Uruguai, mas de algo gigantesco para as dimensões do nosso segundo pólo urbano e político-eleitoral.
Se houvesse vergonha na cara, tanto do governo como dos parlamentares, essas novas revelações tornariam impositiva a necessidade de restabelecer, em todos os seus mínimos detalhes, a investigação do caso Copel-Sercomtel. Uma gestão com um mínimo de sensibilidade moral seria a maior interessada para que tudo fosse, o quanto antes, esclarecido. Infelizmente, para a democracia não é o caso daqueles que estão habituados ao culto da caixa preta, que permeia grande parte das ações desse governo.





