LUIZ GERALDO MAZZA
Um governo paranaense que facilitasse a quebra do pacto que o vincula aos meios de comunicação social faria mais do que um que trouxesse mais montadoras para o nosso território e que o saturasse de indústrias, consolidasse a agricultura e a diverficasse em níveis até agora não atingidos. Não podemos esperar de Lerner, ou dos que o combatem como Requião, e dos que fingem fazê-lo como Alvaro Dias, todos autoritários e estimuladores da prática, qualquer iniciativa voltada a esse propósito.
Apesar dos contornos de sociedade complexa que exibimos com nossos elevados níveis de urbanização, e com a transformação estrutural ocorrida na economia e que acabou com a visão de poder nacional e regional, não se capta uma análise, séria e abrangente, do processo. A impressão que se tem é que os empresários paranaenses, pelo menos os que aparecem na crista da onda, foram sustentados com recursos de bancos de fomento como o Badep, o BRDE e o Banestado, nutridos pela poupança de todos, e que agora mal conseguem ocupar postos gerenciais na nova ordem transnacional. É evidente que nem todos estão condenados à capatazia dos dominadores, há segmentos resistentes e núcleos de surpreendente vitalidade, como o das cooperativas.
Há alguma discussão séria no Paraná, seja no campo acadêmico, no jornalístico ou no parlamentar sobre o novo cenário, que não se traduza em boletins como os das entidades engajadas tipo Fiep, Faep, Associação Comercial e até mesmo, o que é lamentável, nos ensaios do Ipardes? Inexiste o contraditório, a imposição do contraste. É como se não houvesse efeitos secundários, risco de choque anafilático, nesse novo rumo da economia, apesar de estarem aí os fornecedores dos supermercados chiando contra a sua marginalização.
Para os bobalhões e os parvos, a notícia da chegada de mais outra montadora, a Nissan, dilui tudo isso, como se tal evento, embora relevante porque consolida o segundo pólo automotivo, resolvesse todos os nossos problemas. Esperava-se que com o evoluir estrutural da economia e o sopro da globalização, os conflitos se tornassem frequentes e, gradualmente, fossem removidos esses sedimentos de atraso, entre os quais o de efeitos mais danosos é o dos meios de comunicação cooptados e subvencionados, episódio visível no fato de desconhecermos a que ponto chegavam as relações entre polícia e crime e o pacto entre políticos-empresários, que está no cerne da sordidez londrinense.





