Há quem compare o prefeito de Londrina, Antonio Belinati, com um personagem de série televisiva ‘‘O Fugitivo’’. Mas driblar o meirinho, aquele que nos vem apresentar a citação num processo, é arte que os políticos dominam bem. Quando Roberto Requião se elegeu governador mostrou habilidades de Garrincha ao transformar em ‘‘João’’ os oficiais da Justiça Eleitoral que vinham intimá-lo por causa da fraude eleitoral ‘‘Ferreirinha’’, que o levaria à cassação pelo Tribunal Regional Eleitoral. Como se dizia que Belinati estava no apartamento novo da família em Curitiba, aquele que é alvo de suspeições em variação patrimonial, situado no Bigorrilho, os repórteres lembraram que naquele arrabalde mora o senador peemedebista e quem sabe o prefeito estivesse com ele confabulando para adquirir algum ‘‘know how’’ nessa arte acrobática de ganhar prazo.
Se há alguma semelhança com o paradigma de São Paulo, no entendimento da segunda instância, Belinati pode retornar ao seu gabinete em Londrina e ficar, como se dá com Celso Pitta, aguentando o rojão das denúncias, caso as alegações dos seus advogados, especialmente do constitucionalista ClSmerson ClSve, sejam acolhidas. Dizer que é um gato de sete fôlegos pode parecer malicioso em função das charges do Ivo Akio desta Folha, mas que tem muita obstinação não se pode negar. Nesse momento, a maioria o condena por causa da exuberância das provas levantadas. Há, no entanto, algo bem brasileiro que pode ajudá-lo: basta uma decisão favorável na Justiça, mesmo que transitória, e o clima se altera. O ritmo acusatório é interrompido e vem a fase do remorso. Justamente por isso que se busca solução radical, a mais rápida.
Resta saturar o cenário com mais e mais processos. Matéria-prima há em abundância, como se percebe. Tanto a Justiça, como as demais instituições operam por reflexo e a própria Câmara Municipal, que estava ‘‘amarrada’’ ao prefeito, coisa inimaginável em Curitiba, dada a relação pactual, orgânica, estabelecida, se liberou e passa a aceitar as denúncias bem fundamentadas.
Será em breve uma lição para essa Assembléia Legislativa, cúmplice, que, depois de aprovar a CPI da venda de ações da Sercomtel à Copel, recuou de maneira estranhável, vergonhosa e comprometedora. Ali está a raiz de tudo, o motor do delírio ambulatório que passará a marcar, por algum tempo, a trajetória de Belinati como se fosse um cigano.

mockup