Luiz Geraldo Mazza
Justificado pelos marqueteiros como indispensável para a auto-estima de uma sociedade com crise de identidade como a paranaense, o triunfalismo é o tom das mensagens oficiais. Entra governo, sai governo e a mediocridade persiste a atazanar nossos ouvidos desde O Paraná Maior, de Lupion, à Transformação que a gente faz, de Jaime Lerner, passando pelo Todos somos uma só força, de Ney Braga, Aqui se trabalha, de Paulo Pimentel. Requião veio com o seu pretensioso e fajuto O Brasil que deu certo, e agora com o tablóide chapa branca, o governador atual veio com o Paraná desenha o país do futuro. Incrível é que governantes e publicitários façam uma pose como se esses saques fossem geniais e não de uma alarmante mediocridade.
O pior ainda é a fortuna que se despende nessa parafernália de forma inútil e desagregadora porque, a cada governante, temos uma desses artistas a mexer com símbolos, supostamente ligados ao Paraná, e que acabam se sobrepondo aos da heráldica, por sinal que os últimos ainda contestados no Judiciário com a reforma feita no governo Alvaro Dias. Tivemos os bonecos cortados a tesoura e de mãos dadas de Ney Braga, as coisas evoluíram um pouco, em termos semiológicos, com a esfera verde de Paulo Pimentel e mais ainda, pelo grafismo vivo e ágil, das folhinhas de Lerner na prefeitura e no governo, do arquiteto e designer Manoel Coelho, gênio da área.
Como é que com essa Bienal semiótica, mais idiótica do que tudo, vamos buscar a tal identidade de que carecemos com tanta diluição? Gosto de lembrar que um desses artistas bolou para o Banestado o símbolo de uma gralha azul, um pinhão no bico, incentivando a lenda de que ela é que semeava pinheiros, quando o fazia ao derrubar os frutos do alto da galharia. O mais grave não foi o traço isomórfico, acadêmico demais, paupérrimo, e, sim, o fato de colocarem em cada agência uma gaiola com uma gralha, ave totem e tida como em extinção... Imaginem se fosse nos dias ambientalistas de hoje.





