Os arquétipos, gerados por nossa formação melodramática e tendendo para a pieguice, perturbam gravemente o processo político-cultural, especialmente as esquerdas, minadas no Brasil pelo populismo. A preocupação em descriminar, isto é, retirar a medida delinquente de certas ações e em favor de determinadas minorias, é uma constante. O bom selvagem, de Rosseau, espraia-se para todas as áreas como o índio, o pescador artesanal (caiçara) e agora o sem-terra. Uns e outros, quando agridem o meio ambiente, têm a justificativa da escala (caso do índio e do caiçara, o que nem sempre é verdadeiro), que seria pequena e insignificante e voltada à subsistência e os outros poderiam desmatar porque haveria uma razão de ordem econômica para suplementar-lhes a renda.
Índios negociam com madeira de lei, como o mogno, e os sem-terra, repetindo o que os colonos fizeram no Paraná com sua agricultura de ‘‘mineração’’, devastam com a fúria de formigas cortadeiras as áreas em que são assentados, como se tivessem uma proteção especial para os crimes que cometem, tanto neste caso quanto nas invasões quando torturam, matam, depredam e espoliam. Tidos como cidadãos especiais, apesar da apregoada condição de excluídos, muitos deles até proprietários, como se dava com a vítima do entrevero com a PM em Campo Largo (assentado há mais de 16 anos), olha-se com tolerância os delitos ambientais que praticam.
Há um exemplo em Curitiba clássico dessa tolerância (o temor de parecer contra os pobres, o que é uma farsa porque se tal discurso e tal disposição fossem verdadeiros, não os teríamos mais em lugar algum, a julgar pelo engajamento dos que se elegem em cima dessa retórica) na invasão, a maior de todas, no vale do Rio Palmital na BB 116, a chamada ‘‘Vila Zumbi dos Palmares’’. Esgoto ali produzido em terreno turfoso, permeável demais, vai direto para a fonte de captação de água do Rio Iguaçu, que abastece a população. Quer dizer: o direito da minoria, de invasores, acaba se sobrepondo ao da maioria. Aí não apenas o governo calhorda age demagogicamente como também as ONGs ambientalistas, que não querem aparecer como inimigas da pobreza. O suco de m., que a sociedade majoritária é obrigada a consumir, é visto como normal, ainda que para atender essas invasões da área dos mananciais, o custo da água se torne proibitivo com o uso extremo de produtos químicos e de má qualidade, lembrando o detergente ‘‘QBoa’’.
O sentimentalismo, como a ideologia, ainda mais a que sataniza o espírito, impede o pensamento e bloqueia a ação reparadora. Uma tragédia rotineira.
CROMO
Numa sessão espírita o espírito de luz sugeriu uma saída para as crises do Paraná com a mensagem: ‘‘Criatividade, Lerner, é o que não lhe falta!’’
BIZARRICE Luis Carlos Hauly, deputado federal, muito parecido com o seu líder, Alvaro Dias em oportunismo, apoiou todas as medidas de austeridade de FHC como seu vice-líder na Câmara Federal. Agora, como é candidato a prefeito, não deseja ver seu nome na lista dos que apóiam os 151 paus de mínimo. Antes fez trabalho muito mais contundente para as áreas que diz proteger, e que votam com aquele que o derrotou na última eleição, Antonio Belinati.
AXIOMA Outra de oportunismo: Alvaro Dias, o senador, criticou o governo Lerner por ter feito antecipações de receita orçamentária. No seu período, adotou a medida, com Hauly na Fazenda, por três anos. Aliás, um dos assessores mais credenciados dizia que o Luiz Fernando Veríssimo havia criado o analista de Bagé, e aquele governo o financista de Cambé.
GLOSA Um delegado de polícia da terra andou estabelecendo conexões entre a genética, papilas digitais e o crime, quase recriando as teorias de Lombrozo. Sobre o uso de tatuagem, sugeriu que indicavam até preferências sexuais. Será que se o tatuado botasse a inscrição ‘‘sou da mamãe’’, seria um edipiano?
SPRAY Apesar de constantes decisões judiciais que punham em risco o sistema previdenciário estadual, o pessoal do governo, no seu triunfalismo militante, com um distanciamento olímpico, achava que tudo aquilo era moleza. - Agora veio uma liminar do STF (a ParanaPrevidência está de tal forma preocupada com a temática eleitoral que a atribuiu ao Superior Tribunal Eleitoral, ato falho), proibindo a cobrança dos aposentados e pensionistas. Se assim for (espera-se que não, pois isso inviabilizaria tudo) dá para chamar a nova organização social autônoma de ‘‘feto barbudo fugido do cemitério’’. - Nunca vi, pelo menos nos últimos 50 anos de administração, um baixo astral atingindo tanto um governo como o de Lerner: é a CPI das Drogas devassando ligações perigosas; é o caso envolvente de Londrina que atingiu em cheio o Palácio; é a queda do Rafael Greca, o isolamento dos nossos políticos pelo PFL, é a liminar do STF que desmonta o esquema previdenciário, e a sequência prometida de greves de professores e servidores estaduais. - E isso tudo acontecendo, depois da entrega da Copel e do anúncio de nova fase otimista, já desmistificada, pois não há o que comemorar. - Um centro de estudos oceanográficos da Católica faz um trabalho extraordinário em Guaratuba, soltando milhões de alevinos de várias espécies na baía. Mas é inútil, porque pescadores delinquentes armam redes de cerco na embocadura de rios, fazendo matança indiscriminada. O Ibama é tão alegórico que não dá para esperar dele qualquer reação. Voluntários vão fazer o seguinte: colocar ‘‘ouriços’’ antiarrasto (trilhos de ferro e tambores) para acabar com as malhas das redes nos pontos estratégicos. Afinal, uma luta duplamente agressora por falta de consciência e ação fiscalizadora. - Suspeita-se que recursos da Fundação Araucária destinados à ciência e à tecnologia estariam desviados para setores burocráticos oficiais.
FOLCLORE Projeto de Requião, já aprovado no Senado, obriga a TV a cabo a reproduzir a chatice das sessões da Câmara Baixa e da Alta. É quase como obrigar as nossas rádios a fazer a ‘‘Hora do Brasil’’ por três horas. É mais inviável comercialmente do que a ParanaPrevidência.
AFORÍSTICO No dia do confronto MSTxPM, se a ‘‘Chapeuzinho Vermelho’’ passasse pela BR 277 acharia o lobo mau uma gracinha. A cor do chapéu lhe seria fatal.

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