Luiz Geraldo Mazza




Espetáculo ‘‘non sense’’
Quem não dá uma notícia – caso do ataque de Requião aos meios de comunicação da tribuna do Senado – não pode e não deve depois contestá-la, mesmo em nota oficial de sindicato. Ironicamente vou a uma espécie de tréplica de assunto igualmente não abordado porque enfoca um tema obsessivo: o da subordinação da mídia à área oficial, o que precisa ser combatido todos os dias.
O presidente da entidade de jornais e revistas, Abdo Aref Kudri, agiu com sua habitual generosidade, ao oferecer solidariedade aos atacados pelo senador, mas acabou dando-lhe armas para que voltasse ao assunto, ontem. Correta, por outro lado, a resistência da Folha em publicar – não publicou – a nota do sindicato já que tratava de assunto não abordado e registrado na TV Senado.
Convenhamos que pega mal para todos esse tipo de embate que deve soar como coisa de campanário, briga provincial, ainda que não seja bem assim. É verdade que veículos se omitiram na divulgação dos episódios de Londrina. Essa cultura precisa ser submetida à reflexão e, na sequência, modificada radicalmente.
Mas o senador Roberto Requião, embora prometesse um ‘‘choque de capitalismo’’ para a mídia paranaense, valeu-se gostosamente, tanto na prefeitura da capital quanto no governo, desse mesmo tipo de relacionamento, chegando ao ponto de usar, mais de uma vez por semana, de aparições nas tevês locais para seus recados, como se estivesse a decalcar as ‘‘falas’’ do general Figueiredo, e ainda a escrever artigos nos jornais, que lhe liberavam espaço, desde os tempos da prefeitura. Fez, quando prefeito, também uma visita ao sindicato de jornais e revistas, depois de aconselhado a recuar da idéia de enfrentar a mídia na base do alto falante e mimeógrafo e assim encarar quixotescamente o possível cerco de uma imprensa hostil, como a imaginava pelo menos. Viu-se que era dócil.
Houvesse um mínimo de independência dos empresários e não seria dada essa moleza, não apenas ao senador, mas a todos os demais governantes, incluindo os atuais, ora em plena ofensiva de triunfalismo, por força de uma praxe condenável e especialmente incompatível com os dias atuais, quando melhoram sensivelmente as nossas práticas de democracia, menos por vontade de dirigentes e políticos do que por determinação de setores da sociedade, que se organizam, como se percebe em Londrina e São Paulo.
O senador é especialista em tirar nutrientes do conflito e justamente quando colocado como alvo. Talvez esteja aí sinalizando que é candidato à prefeitura da capital, o que tira mais o sono dos governantes do que dos empresários de comunicação a sua candente denúncia em cima de um hábito que ajudou, com muita ênfase, a cultuar, manter e expandir.

BIZARRICE
Paraná é o segundo pólo automotivo, um dos primeiros em desmanches. Antes mesmo da Volvo já éramos destacados no mercado alternativo de roubo de carros, caminhões, de cargas e, é claro, desmanches



ADIANTAMENTOS Quanto mais chegam explicações sobre o caso dos adiantamentos da Casa Civil – e isso abrange vários governos – mais se percebe que autoridades, servidores, que a ela recorressem, precisavam de algo mais do que taxa de insalubridade e de risco, diante da bagunça reinante. Tanto Renato Follador quanto Guaracy Vieira afirmaram que devolveram o saldo. A chefe da Central, Hermínia Vieira, no inquérito disse não ‘‘ter conhecimento de que algum servidor tenha deixado de prestar contas’’.
GLOSA Um site na Internet abre-se para leilões com o código ‘‘Pago Tanto’’. Ao ouvir a notícia, o Jota Carlos, que faz quadras, poucas de pé quebrado, tasca: ‘‘O pago tanto é um perigo// nestes tempos de eleição//Vai ter candidato antigo// pondo a moral em leilão//.’’
AXIOMA Se a URBS acha que proibindo torcedores com camisa de clube de entrar nos terminais vai acabar com a depredação, ela pode fazer o mesmo, negando o ingresso de estudantes sob o fundamento de que todos são ‘‘pula catracas’’.
Follador foi a um encontro do Conselho de Política Fazendária (Comfaz) em Campos do Jordão, a pedido de Pedro Parente, secretário executivo do Ministério da Fazenda e de interesse do Banco Mundial, e por isso houve deslocamento a São Paulo (entrevista com um secretário, Carmona) e, em seguida, àquela estância para a sua palestra. Os que viajam no governo, como se vê, correm menos riscos no avião do que na hora de prestar contas.
TRIUNFALITE Governo estadual saiu da defensiva, mas já está exagerando. A chamada transformação econômica, que teria gerado o ajuste das contas, não é tanta assim: em valores de exportação no ranking, permanecem três produtos da agropecuária (42,39% na soja; 11,75% na madeira, 8,17% nas carnes) e máquinas e instrumentos mecânicos vão aparecer em seguida, com 6,96%. Material de transporte, depois do café e açúcar, registra 4% e máquinas, aparelhos e componentes elétricos, com 1,4%. Números do ano passado. E a surra que levamos dos gaúchos em arrecadação de ICMS como explicar, quando as duas economias têm conformação assemelhada. Aliás, os prospectivistas do governo vivem dizendo que vamos superar os gaúchos em renda interna. Até agora só ganhamos no futebol.
FOLCLORE Há muito ódio, em meio à indignação justa, em Londrina. O Waurides Brevilheri Júnior afirmou que o Belinati lhe teria dito ser importante ‘‘agradar as crianças porque pai e mãe são todos otários; tudo o que a criancinha quer e gosta, os pais vão atrás e fazem, por isso eu quero bandeirinhas sempre, elas alegram as crianças e os adultos ficam no papo; este é um segredo, depois a família vota tudo em nós’’.
Por mais inverossímel, os depoimentos são tão fortes quanto a acusação que o prefeito fez de estar sendo subornado por vereadores. Buscar a verdade no meio dessa tempestade de lama não vai ser fácil. O final vai ser bom para todos, apesar dos tonéis de Engov que serão consumidos para vencer a náusea.
CROMO Peixes fosforecentes, abissais, inundam a minha noite impossível.
AFORÍSTICO Tirando o pessoal do Lerner, que está com um riso permanente, se você encontrar alguém assim veja primeiro se não é sequela de derrame.

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