Dentre as denúncias de Requião ao governo - muitas delas vagas, expressão até de sentimento de inveja - há uma que sobressai: o gasto de R$ 106 milhões em publicidade. Como o governo jamais contesta qualquer número forte usado pela oposição, como se o seu desprezo olímpico fosse compartilhado pelo público, essas referências são em breve esquecidas. Não o serão certamente pelo PMDB e especialmente por seu principal eleitor, Roberto Requião, ainda sob o foco da CPI dos Precatórios e nela surfando com pleno vigor.
Uma fortuna como essa é verba para Coca-Cola no mínimo. No entanto, o governo, que não paga a sua contrapartida nos contratos internacionais e por isso é punido com ‘‘taxas de permanência’’, não pode drenar um aluvião de dinheiro desse porte para essa masturbação que vemos sistematicamente projetada na TV, em rádios, out-doors, jornais e revistas. É, para dizer o mínimo, algo próximo da delinquência.
Alguém até hoje mediu o custo-benefício desse festival que de Ney Braga para cá se pratica no Paraná com a mesma naturalidade com que as pessoas respiram? Tentamos na gestão Richa, que afinal rompia o dique ditatorial, discutir esse tema e numa espécie de dinâmica de grupo e os que se habilitavam a monopolizar as verbas nas agências de propaganda e de notícias pularam como se houvesse uma ofensa ao ‘‘direito de conquista’’. Ficou algum resíduo desse ufanismo sistemático - ‘‘Paraná, terra de todas as gentes’’, ‘‘Segundo Estado do Brasil’’, ‘‘Aqui se Trabalha’’, ‘‘Brasil que dá certo’’ - praticado com uma constância embotadora e manipuladora para provar que houve investimento e não desperdício de dinheiro público e num objetivo dos mais inócuos?
É um desafio à mente de qualquer um saber, porém, saber com que artes e ciências o governo Lerner conseguiu queimar tanta grana. Porque até para a prodigalidade é preciso, num caso desses, ser um gênio. Como o era Pantagruel em relação ao ato de comer.
BIZARRICE O Paraná é um Estado sem identidade: seu governador não sabe a que partido se ligar e a bandeira e o brasão, modificados no governo Álvaro Dias, estão contestados no STF. É esquizofrenia para ninguém botar defeito.
O UIVO O ódio e a fúria não servem ao ato de raciocinar: a APP-Sindicato, no empenho de agredir o governo, fez aflorar algo apropriado a nazistas quando, a pretexto de mostrar vínculos de grupos com o poder, aludiu ao fato de alguns deles frequentarem o Centro Israelita, do qual também participariam Lerner e Saul Raiz. A irracionalidade é o fundamento da discriminação. Uivo não é fala.
SPRAY ‘‘Casamento homossexual’’, pelo jeito, no Brasil, tem mais apelo que as reformas estruturais. Um volante (da campanha ‘‘Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!’) está sendo encaminhado a todos os deputados contra o projeto da Marta Suplicy.- Sábado tem mais com o desfile dos gays na Boca Maldita, muitos dos quais saíram na frente da deputada e se consorciaram.- Um pacu de 3 quilos foi fisgado no rio Iguaçu, proximidades do Salto Caiacanga, em Porto Amazonas. Não há outra explicação que não se funde na hipótese de rompimento de tanque de criação. Aliás, até para isso há restrições por causa da temperatura dominante na região.- Recente estudo sobre a fauna ictiológica da bacia inclui espécies exóticas como a tilápia nilótica e o black-bass.- Sinal verde para o BRDE é um feito não apenas de políticos e de empresários, apesar da intenção do governador gaúcho em torpedear o banco. Não é incompatível a existência do banco e a ação simultânea de agências de fomento estaduais.- A repartição que lança bosta em Guaraqueçaba é federal e não estadual.- Gilberto Nassif, vogal dos contabilistas na Junta Comercial do Paraná, é agora o seu vice-presidente. Festejadíssimo em função da maneira como ali convive com dirigentes e funcionários.- Insistimos em nossas práticas em botar no jornal o que desejamos que ocorra e não o que está acontecendo. A anunciada discussão do pedido de empréstimo na CAE do Senado não procedia como se viu.- Conselho da Magistratura homologou concurso de Oficial de Justiça de 1994. Lista sai nessa semana no ‘‘Diário da Justiça’’ e em agosto serão nomeados os primeiros 30 colocados.- Só 15 dos 62 inscritos compareceram às provas para secretário da Junta Recursal dos Juizados Especiais da Capital.- Oposição de olho nas concessões feitas, inclusive operações imobiliárias, em Fazenda Rio Grande, para atrair a Electrolux, essa mesma que está fechando 25 fábricas no mundo e despedindo 12 mil trabalhadores.- O filósofo Emmanuel Appel está propondo na Universidade Federal uma série de estudos sobre os 80 anos da revolução russa com o que pretende trazer a Curitiba a massa cinzenta da ciência política. Como se vê, marxismo, ao contrário do que pensa Fukuyama, não é paleontologia.- Amanhã, rancho ‘‘El Potato’’, Piraquara, o ‘‘Dr. Fritz’’ estará operando em estranha parceria entre rock rural e cirurgia espiritual.-
FOLCLORE Perguntas do anarquista Elísio Marques: Rubens Minelli é treinador de futebol ou especialista em lixo reciclável; vai ter ‘‘ala dos políticos’’ no desfile da Escola de Samba Gay, sábado próximo; e o litisconsórcio do PT com o PMDB é ativo ou passivo?
CROMO O vermelho forte do caquizeiro, as frutas já secando de tanto servir aos pássaros, se funde ao rubor do horizonte enunciando seca.
AFORÍSTICO Aníbal Khury já disse em mais um dos seus éditos: não sai CPI das montadoras e muito menos a das ovelhas ou diárias frias. Annibalis dixit, verum est. E estamos conversados, pois democracia é coisa de diletante, de quem não tem compromisso com a realidade.

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