Luiz Geraldo Mazza
Mais desastres à vista
Política de campanário, mesmo em megalópole, é sempre a mesma: é o que se verá hoje no encontro de Cássio Taniguchi, o prefeito eleito, com a bancada do PDT. O coordenador, desde a campanha eleitoral, Antonio Carlos Araújo, já vem tentando obter o consenso impossível há muito tempo e sem sucesso e o nome de João Cláudio Derosso, apontado como o preferido, encontra resistência na bancada, ao mesmo tempo em que os vereadores Jotapê e Jair Cézar não se dispõem a retirar seus nomes da disputa. Correndo por fora, mas também obstinado, o vereador Jairo Marcelino deseja marcar posição e opor-se a aceitar o prato feito.
Foi dessa perplexidade e com boa dose de incompetência política que Lerner e Rafael Greca perderam a última disputa na comissão executiva da Casa para o chamado Grupo Pró-Cidade, que há muito tempo se sobrepõe, como estrutura suprapartidária, à legenda tida como dominante. O curioso da nova situação é que se acusa justamente a articulação oficial de estar vinculada ao transporte coletivo quando os que dominam hoje a Comissão Executiva, ora postos como circunstanciais adversários, foram eleitos sob a inspiração do cartel.
Cássio sempre teve diálogo com o pessoal do transporte até porque, durante algum tempo, foi presidente da Urbs, a gerenciadora do sistema, e se habituou por força do ofício a negociar com o empresariado da área e especialmente João Simões, seu executivo credenciado.
Simões teve que deixar o sindicato na sequência da vitória do seu irmão, Íris, sobre o grupo governista, por ordem expressa do sistema de poder. De lá para cá, prosseguem as escaramuças, posto que sejam reduzidas as possibilidades, anteriormente admitidas, de haver a reeleição do presidente do Legislativo.
BIZARRICE - Dizem, é claro que isso tem todo o jeito de exagero, que o escritor Kurt Mirow teve o seu livro A ditadura dos cartéis apreendido e colocado no index dos milicos porque haviam entendido tratar-se de a ditadura dos quartéis.
Outra na mesma linha se atribui a Fidel Castro, que ao montar seu ministério teria pedido um economista e Che Guevara se apresentou. Fidel retrucou saber que ele era médico. Aí Guevara esclareceu: Eu entendi que o governo estava precisando de um ministro comunista.
SPRAY - O PT está convencido que ganhou eleições quando perdeu, nacionalmente, até do PSB, e Irineu Colombo, o homem que botou um ovo em pé na Ferroeste, mas que ontem teve a casca quebrada com a queda da liminar, diz no jornal do partido que o PT pode disputar o governo com candidatura própria. Dá impressão de jornal sindical sem compromisso mínimo com a realidade e botando o imaginário nas nuvens. - Aliás, um clima de triunfalismo marcou a passagem de Lula em Curitiba, apesar da colheita reduzida de seis prefeitos, 13 vices e 110 vereadores nas últimas eleições. Em alguns lugares surpreendeu, como em São João do Triunfo, onde fez quatro vereadores. Ganhou capilaridade, mas é muito cedo para arrogância. - Londrina, em que se saiu tão mal que só elegeu um vereador, embora tenha o prefeito da cidade (o que prova que sua gestão não melhorou o desempenho partidário), quase foi substituída por Ponta Grossa, face à votação excepcional do deputado Péricles Holleben de Melo. Ali, o PT cravou três vereadores, entre eles duas mulheres, Selma Maria Schons e Ortência Matias da Rosa. - Decisões das câmaras criminais do Tribunal de Justiça vão criar dificuldades para o governo na apuração de delitos do colarinho branco, no padrão das questões ligadas à fraude do ICMS. É que fulminaram em casos específicos a questão da quebra do sigilo bancário, indispensável para o cruzamento de informações. - De 16 a 20 deste mês haverá dois cursos, das 19 às 22 horas, no Senac: Chefia e Liderança e Qualidade Total no Atendimento ao Cliente. - Fila em porta de colégio para obter matrícula é uma questão irremovível, tal qual as de caminhões com soja na época da safra. Mas a Secretaria de Educação poderia antecipar-se num mínimo de organização. - Área de informações da Polícia Militar está sendo acionada no momento em que se discute a indicação do futuro comando. Pelo jeito, os políticos vão ditar as regras num setor de responsabilidade exclusiva do Executivo.
FOLCLORE - De tudo o que houve na lavagem cerebral, agora com os prefeitos, em Faxinal do Céu, nada chocou mais do que o tom quase pernóstico de certas intervenções em que se falava sobre Maquiavel e Rousseau. Falar desse modo a professores da rede pública já é um abuso, imagine-se dirigir esse estilo de mensagens a prefeitos, dentre os quais há muitos com escolaridade mínima.
Isso lembra uma história constantemente relembrada por Aníbal Khury quando se contestava a legitimidade do mandato do iugoslavo Miran Pirih. Num dia, já não tolerando as citações seguidas de Pontes de Miranda, glória do Direito brasileiro, ele sacou com seu falar arrastado: Esse Pontes de Mirranda não passa de fofoquerro...
CROMO - Fiz a recomunhão domingo, Igreja do Rosário, na primeira comunhão do meu neto Diego. Faço o rebatismo também com eles, o recasamento com o das minhas filhas e nessa reconstrução viajo no tempo de uma religião com mais mistério. Naquela mesma igreja ouvi pregações em novenas sobre todas as nossas senhoras que com sua onipresença e identidade (a do Rosário, das Dores, do Rocio, do Pilar, Aparecida etc) marcam a força do marianismo no Brasil.
AFORÍSTICO - Marxismo em compota, existencialismo sob a forma gel, essas são algumas das formas usuais de comunicação na política a pretexto de vulgarizar um pensamento que, por natureza, é sofisticado.





