Luiz Geraldo Mazza




A bancada do contra
Nunca em toda a história do Paraná tivemos o absurdo de a representação paranaense no Senado estar praticamente mobilizada contra os interesses estaduais eventualmente traduzidos pelo governo. Pelo menos anteriormente havia um, ou José Eduardo ou Luiz Alberto Martins de Oliveira, para fazer o contraste com a postura dos senadores Osmar Dias e Roberto Requião. Agora também o mais novo ‘‘pai da Pátria’’, Álvaro Dias, ainda que mais discreto, igualmente exerce o tortuoso ofício.
Reconhece-se que não foram eleitos para aprovar tudo o que o governador do Estado reivindica. Dois deles foram eleitos pela oposição, outro nem tanto porque beneficiado por um ‘‘acordo branco’’, que tirou a emulação do pleito ao transformá-la numa aclamação.
O fato é que o Paraná, na Câmara Alta, só tem oposição e isso levou Lerner a mandar uma carta ao senador Hugo Napoleão contestando afirmativas do senador Requião ao interpretar, ao seu estilo, o problema do envolvimento da cúpula da Segurança com o narcotráfico. A leitura da carta só poderia levar Requião à cólera, pois nela o governador volta a falar de duas coisas que o senador detesta: a fraude eleitoral do Ferreirinha e a morte do Teixeirinha.
Requião disse que Lerner está profundamente envolvido com a corrupção e o narcotráfico e é tíbio e frouxo. Se não tinha retaguarda para a defesa do conteúdo da carta, Lerner cometeu um erro ao encaminhá-la. Mais um entre os tantos que acumula a cada dia, mal assessorado e desastrado politicamente.
Lamentáveis as duas coisas: a bancada monolítica e o governador confuso.



FOLCLORE
A qual público o governo se dirigirá preferencialmente na campanha eleitoral: aos servidores públicos, aos quais não paga as férias; aos professores, que tanto prestigia ou aos caminhoneiros que estimula?


BIZARRICE Ex-agentes do Doi-Codi, Cenimar, os coices-de-mula, revelados e os enrustidos, ficaram felicíssimos com o fato de o governo paranaense ter feito uma comemoração à altura dos 36 anos do golpe militar com a repressão modelar aos caminhoneiros. E esperam, certamente, que faça o mesmo com os professores.
O fato é que nem os caminhoneiros, nem os professores vão se intimidar.
AXIOMA Uma das maldades da Boca Maldita, feita sem intenção de agredir, é a de os frequentadores do local chamarem o irmão do governador, Júlio, de ‘‘o Lerner bom’’. Agora resolveram chamar o Eduardo de o ‘‘Requião corajoso’’.
GLOSA Não apenas os deputados governistas sumiram da Assembléia por três sessões sucessivas. Também o secretário-chefe da Casa Civil, Tato Taborda, sumiu do pedaço. Na hora em que a mulher do cafezinho faltar, será o caos.
PARADOXO Enquanto o governador assistia, emocionado, a exportação de carros Golf para o México e o Canadá, em Paranaguá, os moradores do Canal Anhaia corriam o risco de ‘‘importar’’, outra vez, um surto de cólera.
ORIGINAL Curitiba não é apenas uma lançadora de produtos mercadológicos e urbanísticos. Agora surgiu algo revolucionário: a Associação dos Pais de Alunos de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná. São centenas que aderiram à idéia com o propósito de ajudar na qualificação dos alunos, melhora das condições materiais, etc. Iniciativas como essa são bem melhores do que os imaginários benefícios das eleições nas universidades. Sem essa participação, a da comunidade, tudo é farolagem, ritual retórico e sustentação de consulados de um suposto poder na base de articulações eleitorais e que responde, também, em boa parte, pela degradação da Universidade e o domínio do baixo clero.
FÓRUM Advogados e políticos têm opinado pela implosão do Fórum, deturpação também arquitetônica para o estilo leve e moderno do Centro Cívico. Como há um momento da vida brasileira que reclama devassa contra atos de corrupção e também de desperdício, a simples implosão, ainda que agradasse algumas pessoas, operaria como uma ‘‘queima’’ de arquivo. Em certo aspecto é melhor que permaneça o esqueleto, que não é de armário e nem escondido, e que, de certa maneira, simboliza a omissão dos poderes públicos.
Durante o governo Requião, o ex-deputado Bona Turra, então diretor do Decom, manteve a construtora (Cotelli) sob pressão e num mar de denúncias, também não ignoradas pelo Poder Judiciário, já que lhe cabia, por órgãos próprios, fazer o acompanhamento da obra indispensável. Vamos retornar ao marco zero, apurar responsabilidades por ação e omissão, especialmente do Executivo, esse tempo todo e tentar, se possível, recuperar, ao menos em parte, a grana dissipada.
Queima de arquivo, não. Sem investigação será também um crime a implosão.
BOLA FORA Não bastasse o fato absolutamente escandaloso de o time de basquete feminino do Paraná, em que pese suas qualificações técnicas, estar sem qualquer patrocínio, prova de incompetência (afinal o governo só faltou dar pirulito para as empresas estrangeiras que atraiu e que poderiam, na pior das hipóteses, pelo menos ajudar no marketing), um descuido de sua gerência ao não ceder a atleta Vedrana à seleção do seu país, redundou em multa de US$ 50 mil pela entidade internacional.
PARANISMO O movimento Pró-Paraná, bem intencionado, distribuiu distintivos com a bandeira do Paraná ao lado da brasileira. Só que há um erro primário, volta e meia cometido em mastros estaduais e municipais, na afixação do símbolo regional do lado direito quando este espaço, conforme noção bastante primária de heráldica, é exclusivo da bandeira nacional.
CROMO Porque apontei estrelas, tenho agora uma constelação de verrugas.
AFORÍSTICO Depois que assentar a poeira passa a crise: afinal ao pó reverterás, como sugere a sentença bíblica.

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